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quarta-feira, 4 de março de 2009

Festival Mondial Du Cirque de Demain - após o intervalo...

Emma

A segunda parte começou em grande estilo com duas medalhas de ouro: a ganhadora da medalha de ouro, Emma Henshall e uma outra medalha de ouro para Victor Fomine, seu treinador, em reconhecimento ao seu trabalho e às suas quatorze medalhas conseguidas pelos artistas que foram treinados por ele, pouco né? Afinal só foram trintas edições do festival...

O número dela é muito lindo, é uma excelente combinação de sensibilidade e emoção [sem ser piegas, exagerado ou falso] com o perfeito domínio da técnica, da explosão e da adrenalina que é um número de técnica aérea em balanço.

Ela é formada pelo NICA da Austrália, mas logo depois foi para Montreal onde começou a treinar com o Victor, isso durante dois anos; para a construção desse número ela contou com a ajuda da Elena Fomine e a coreografia de Shana Carrol, uma das fundadoras do 7 Doigts de la Main.

Perfeito domínio do aparelho e da essência do número.

Lindo.


Wei liang lin

Esses chinezinhos...

Jovem garoto, tem aproximadamente uns 20 anos de idade.

Impressionante, “só” isso.

Mais uma vez, não vale a pena mesmo falar da parte artística, é o que todos já conhecem e sabem, ainda mais se tratando de uma criança fazendo, mas nada que comprometesse, aliás, era até menos exagerado e espontâneo que seus outros patrícios que vemos em DVDs, vídeos na internet ou nos circos como os imperiais da China por exemplo.

O diabolo é uma disciplina de manipulação muito popular em países como China e Taiwan por exemplo, e as crianças comecam desde cedo na prática desse aparelho.

Este rapaz tinha um absurdo domínio da técnica e assim como o duo Tr’Espace, ele também executava a manipulação do diabolo no plano horizontal fazendo diversas evoluções e manipulações com o aparelho.

Ele é reconhecido como um dos melhores diabolistas do mundo.


Equilibre sur le main Emo?

Eu e meus amigos assistimos esse festival [Renata, Deco e Marcelo Chokos], e chegamos a conclusão que os emos devem ter surgidos no Leste europeu.

Vejam só, já tinha os irmãos Iroshinikov e já vimos alguns outros números com caras usando chapinha, de preto e muita franja.

No Demain tinha mais um, bem emo mesmo: todo com figurino de gravata, coletinho preto, calça preta, uma franja enorme com muita chapinha, luva preta...

Serguei Tymofieiev, é um jovem rapaz ucraniano que ganhou uma medalha de ouro na vigésima nona edição. Mais um formado pelo Collège des Arts du Cirque et des Variétés de Kiev, extremamente flexível, praticamente um contorcionista muito forte, ele explorava todas as possibilidades de equilíbrio sobre as mãos e fazia trocas muito rápidas entre os braços, cruzando-os diversas vezes e realizando equilíbrios com os braços em diferentes posições e distâncias.

Número bem contemporâneo, tanto em linguagem artistica como em exploração da técnica de outras maneiras, buscando novas possibilidades.




Mais um de casa: Daniel Cyr

Esse quebecoise foi ganhador de uma medalha de prata na vigésima quarta edição do festival.

Nascido em Îles de la Madeleine e formado pela ENC Montreal, ele é um dos fundadores do Cirque Eloize e já se apresentou em diversos festivais e é o criador do aparelho que leva seu sobrenome: Cyr ou Roue Cyr.

O Cyr é um grande aro simples, como se fosse uma roda alemã só com um dos aros.

Pode parecer simples ou óbvio, mas não é, as possibilidades técnicas e efeitos são bem diferentes.

Daniel Cyr também pesquisa e desenvolve outros aparelhos como o l’Etoile [Estrela], um novo aparelho aéreo utilizado no espetáculo Nebbia.



Troupe du Chemin de fer [China]

Chineses, raça que segundo um amigo chamado Paulão [Paulo Barbuto], eles podem ser encaixados na categoria “desenho animado”.

Algo que concordo plenamente.

Se alguém ainda tem alguma dúvida, agora ela será tirada.

Bom, chineses né?

Não vou aqui ficar falando da estética chinesa, da parte artística, figurinos, música, coreografias e blá, blá, blá, porque a gente sabe qual é a parada não é mesmo? Basta dizer que quando entrou quatro chineses com malhas justas parecendo o “esquadrão relâmpago Change man” e uma coreografia que parecia ter saído dos anos 80.

O que interessa é que logo no início o cidadão, segurando a sua tábua para o rola rola, faz um flic para o plano elevado, indo parar em cima do rola que está sobre a plataforma se equilibrando sobre as mãos.

A partir desse momento comecei a ficar preocupado com o que iria acontecer daí para frente, porque se esse foi o primeiro truque...

Dai para frente foi só ignorância: o chinês ficava se equilibrando pelas mãos sobre o rola, girando, pulando, fazendo piruetas...

Como acho que ele não tinha muito o que fazer quando era mais jovem, ele continuou no rola e ficou fazendo sequências de flic em cima do rola, e um monte de outras coisas que honestamente, não entendi direito e outras tantas que não conseguiria descrever.

Depois ele pegou o mini chinês [deveria ser o irmão mais novo, sei lá...] e fez um lançamento fazendo com que o menino fosse direto para um ficar num braço em cima da cabeça dele; depois o básico: um braço, desce para o esquadro, vai para a prancha crocodilo, puxa um espacate... Ah, tudo isso se equilibrando sobre o rola.

Durante a apresentação teve todas aquelas coisas de dificultar o número, colocando mais rola e tal, e perto do final, nas últimas sequências, começaram a fazer algumas coisas ignorantes, como o garotinho chinês fazer equilibrio de rola sendo portado pelo outro e por aí vai.

O último truque era o chinês se equilibrando sobre alguns rolas, e, em cima dele, o outro chinês se equilibrando no rola.

Terminou? Não...

Então o garotinho sobe para o equilíbrio sobre mãos e fica.

Terminou? Não...

Já que não tinham mais o que fazer, o porteur resolveu fazer um giro completo com o chinezinho em cima dele...


Sem palavras.




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Um pouco sobre os números do Cirque de Demain - Parte 1

Nessa edição especial de 30 anos do Festival Mundial do Cirque de Demain, realizada na Tohu, fizeram uma seleção de alguns dos medalhistas das últimas edições do festival.

Bom, então não precisa nem dizer que foi algo no mínimo impressionante.


Enquanto as pessoas chegavam e se acomodavam, o mestre de cerimônia Calixte fazia a recepção do público, ia entretendo fazendo piadas, conversando e até ajudando os mais perdidos a se acharem na platéia.


A abertura foi realizada pelos alunos da ENC Montreal. Quatorze alunos foram selecionados para o número de abertura, foi como um charivari: passagens de acrobacia de solo, contorção, mão à mão, roda alemã, doble trapézio, trapézio em balanço e tecidos.


Um Diabolo diferente

O primeiro número de abertura foi de uma dupla que ganhou a medalha de prata no 25 Festival: a alemã Petroneila Von Zerboni e o sueco Roman Muller, ambos formados pela Scuela Teatro Dimitri de Suisse, uma escola orientada na verdade, mais para o trabalho corporal e do movimento, assim como suas aplicações e possibilidades no trabalho do ator.

Eles começaram a trabalhar juntos em 2002, e algo que diferenciou muito o trabalho deles, foi o fato de usarem o diabolo no plano horizontal. A combinação do tradicional jogo vertical e seus truques com a inovação no plano horizontal mais o trabalho de corpo deles, não poderia resultar em algo que não possa ser chamado de incrível.

Número impressionante, faziam diversas variações com os dois jogando, com um jogando dois, fazendo trocas, giros, roubadas... Sem contar a qualidade da movimentação corporal, eles dançavam com o equipamento, dançavam entre eles e eles com o diabolo.

Tudo muito bem coreografado, sem erros e extremamente precisos com movimentações bem elaboradas, o que só poderia resultar num número unico e impressionante.




Momento de historia

Outra ganhadora da melhada de prata, dessa vez da 18 edição, a francesa Isabelle Vaudelle se apresentou nos tecidos aéreos.

Aluna de Gerárd Fasoli [considerado um dos criadores dos tecidos aéreos, como conhecemos hoje], trabalhando com o Cirque du Soleil no espetáculo Quidam desde 1996, ela fez o número que foi um dos maiores responsáveis pela difusão desse aparelho, que a partir de 2001, 2002 [ocasião também da visita de Pierrot Bidot e Fasoli no Rio de Janeiro] viria a ser a técnica aérea mais praticada no mundo [também devido a ser um aparelho relativamente simples dentro dos aéreos] e principalmente no nosso glorioso, que aliás, viria a contribuir até para o próprio Soleil, fornecendo grandes artistas para os números com esse aparelho, como no caso do La Nouba [como Bel da Silva, Julia Parrot, Karina Mary Silva, Katia Guimarães e a Dani Rabello].

Obviamente a música usada foi a mesma do espetáculo Quidam e foi executada ao vivo com o cantor André Boileau.


Alexandre Kulakov

Um malabarista russo... O que se pode esperar de um russo ou qualquer criatura que faz circo do leste europeu?

Todos sabem que eu admiro malabares apesar se só saber jogar [mal] três bolinhas, e realmente, aro não é algo que eu ache “óooohhh... que coisa incrível...”, normalmente prefiro claves e bolinhas.

Ai me chega um rapazote loiro com uma roupa toda branca, tipo social, com uns aros, ok.

Mas olha, confesso que foi a primeira vez que vi um número de aro que me deixou sem palavras...

O garoto trabalha muito, mas muito, mas muito bem mesmo, nota-se que não há nada por acaso ou aleatório em seu trabalho, eu só percebi a lógica do trabalho e a dificuldade de execução depois da segunda passagem [segundo bloco de execuções, dava para perceber como ele explorava os planos], explico porque: ele começou jogando cinco aros de lado até aí normal, mas depois, os aros mudavam de cor, ou seja, havia um lado branco e outro vermelho, ele ia fazendo as variações de jogo mantendo o padrão e a precisão dos lançamentos, e depois ele fazia a mesma sequência de frente para o público jogando os aros de tudo quanto é maneira: de lado, de frente, girando, descendo para ponte, manipulação e giros...

Um impressionante domínio da técnica.

Link para o video.


Justine et Philippe

Dupla de mão à mão ganhadora da medalha de bronze da 30 edição do Festival.

Formados pela ENC Montreal, o número deles tem um enredo e um contexto bem claro, bem costurado durante toda a aprensentação, tem uma forte carga dramática, número poético e de excelente nível técnico.

Como estavam em casa, tinham um grande público esperando por eles e foram muito aplaudidos após o fim do número.



Dima shine

Esse cara...

Mais uma vez: o que esperar de um russo formado pelo Collège des Arts du Cirque et des Variétés de Kiev [Ucrânia]?

Resposta: mais uma medalha no Festival de Demain, dessa vez, de ouro. Ouro na vigésima oitava edição.

Ele faz um número de equilíbrio sobre as mãos numa espécie de poste, é como se fosse um mini mastro chinês com um suporte em cima para as mãos. Número extremamente bonito, bem construído e de alto nível técnico e criativo: a essência do número é o equilíbrio sobre as mãos, mas ele se utiliza também de elementos da técnica do mastro chinês como bandeiras e pranchas por exemplo.

Desnecessário dizer que além de forte ele era bem flexível não é mesmo?

Para não ficar gastando tempo com palavras: http://www.youtube.com/watch?v=jYiqZ3Bt2UE.

divirtam-se.


Na próxima vez eu falo sobre os outro números do segundo bloco.


Até mais.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

E o Victor ganhou mais uma no Festival de Demain...


Agora no começo do ano teve a trigésima edição do Festival Mundial do Cirque de Demain entre os dias 29 de janeiro a 1 de fevereiro realizado no Cirque Phoenix, em Paris, França.
Para quem não conhece, é considerado um dos festivais mundiais de circo mais importantes do mundo, o de maior destaque [para quem quer saber mais, existem outros como o Festival Cirque Monte Carlo, Festival international du Cirque de Massy, Golden Circus Festival, Festival  Intenazionale Del Circo - citta di Latina por exemplo, mas o de maior projeção é o de Demain].

Pois é, o senhor Victor foi com a Emma Henshall, uma australiana que se formou no NICA da Austrália e veio para cá se aperfeiçoar no trapézio em balanço, se não me falha a memória ela já treina com ele há uns dois anos. 
Para a construção do número, a Elena, [esposa do Victor e professora da ENC] trabalhou na coreografia do trapézio e a Shana Carrol [uma das fundadoras do 7 Doigts de la Main] colaborou juntamente, ajudando na parte de interpretação, movimentação, escolha de música...

Ela ganhou a medalha de ouro e o Victor ganhou também uma outra medalha e uma placa de reconhecimento ao seu trabalho e sua contribuição em todos esses anos. 
Só explicando, o Victor já ganhou [através dos números que ele monta e dos artistas que ele treina] quatorze medalhas de ouro. E antes que eu me esqueça, ele participou quatorze vezes...

Aqui está um trecho de um jornal de circo da ENC Montreal:

"... Un prix spécial a été décerné à Victor Fomine pour sa contribuition à titre de formateur de 14 des médaillés de l'histoire du Festival..."

Ah sim, foram convidados 14 alunos da ENC Montreal para fazer as aberturas dos 5 programas do Festival, e parece que foram muito aplaudidos e o público ficou impressionado com o nível dos alunos.

E óbvio, eu e meus amigos vamos assistir aqui na Tohu a edição do Festival do Cirque de Demain com os ganhadores e melhores números.

Quatorze medalhas. Esse é o cara...

E o melhor? Um simpático senhor russo extremamente bem humorado e piadista!

até a próxima.

PS: sim, eu não terminei a série de artigos sobre a visita ao Soleil, como alguns já sabem, eu tive alguns problemas de saúde aqui e muita correria nessas últimas semanas. Logo mais eu termino! E sim... Vou manter o blog mais atualizado... sorry...

PPS: só como curiosidade, apesar de ser formada no NICA, a Emma tentou entrar na ENC Montreal. Não foi aceita... 

Na nossa vida, alguns "nãos" surgem para nos preparar para outras coisas, alguns "nãos" reservam um sim mais para frente. Os "nãos" surgem para nos reavaliarmos, para traçarmos novas estratégias e nos obrigar a sair da nossa "zona de conforto". 

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um pouco da história daqui

Independência

Confesso que não entendia o porquê das pessoas do Quebec de um modo geral, não gostarem de falar inglês ou de dar preferência ao francês.
Não foram poucas as vezes que devido à minha dificuldade em estabelecer uma conversa mais fluente em francês, mudava para o inglês, nessas horas duas coisas aconteciam frequentemente: ou a pessoa me ignorava como se não tivesse me entendido ou me respondia em francês.
Claro que isso não é uma regra, normalmente as pessoas são super receptivas e até tentam ajudar, porque na maioria das vezes as pessoas percebem que sou de fora e com boa vontade conversam em inglês comigo [exceto com o Victor, o Yuri e suas respectivas esposas pois só falam francês e russo, imagine um russo que tem um alfabeto, grafias diferentes terem que aprender duas outras línguas...], muitas até com muito sotaque, dá para perceber que o inglês não é tão praticado.
No início acreditei ser uma atitude política contra o imperialismo norte americano e coisas do tipo.
De certo modo estava certo e errado.
Sim, é uma atitude política, mas não necessariamente contra o Tio Sam somente, é uma questão política de independência.
Há alguns anos o Quebec vem lutando para se tornar independente do resto do Canadá, e plebiscitos sempre são feitos. No último deu 51% contra a separação e 49% a favor...
Vários são os fatores envolvidos nesse assunto, e os candidatos que são a favor da separação do Quebec também não são poucos, para falar sobre essas parte, conversei com o Normand para me ajudar a compreender. Com vocês, Normand Raymond:

“...tem gente que quer a independência a todo custo, não importando se é de direita ou esquerda. Dizem que o primeiro passo é fazer a independência e depois a gente verá o que se pode fazer. Eu não concordo com essa visão das coisas. O Partido Quebecois (PQ) é um partido que se disse ser de centro (nem esquerda nem direita), e é social democrata separatista. Foi criado com o objetivo de obter a separação e até a independência fazendo plebiscitos (referendos) com o povo, já fizeram três plebiscitos que saíram negativos todos. Mas para mim, é um partido burguês com ideologia nacionalista, e não se preocupa tanto para o lado social ou tanto para o povo. Se preocupa mais pelos interesses da classe alta quebequense, da burguesia quebequense. Fazer a independência com eles, sería nada mais que trocar patrão por outro patrão. Aqui, as pessoas em sua grande maioria não são politizadas e não se interessam em analisar o que aconteceria, nem as consequencias, sem ter nenhum plano bem definido antes de se fazer a independencia. Quebec Solidaire (QS), é um novo partido que é de esquerda. Agora têm ganhado um primeiro deputado nas últimas eleições provinciais, esse partido tem planos sociais bem definidos para todos. Eles estão a favor da independencia só se nós quisermos, mas não é o objetivo principal como o PQ. O mais importante para QS é o bem estar da gente, investindo mais na saude, estudos, meio ambente, e melhores condições de trabalho e justiça social para o povo. Para mais informações: Québec Solidaire - Parti québécois.”

Uma das grandes justificativas [ao menos que oficialmente falam] é devido ao estado de Quebec concentrar uma grande parte de língua materna francófona.
Aliás, um dia desses estava vendo um programa de humor aqui do Canadá de desenho animado onde os candidatos eram os alvos de gozação, e obviamente o primeiro ministro do Canadá também, foi bem engraçado.
Só explicando, o Canadá é dirigido por um primeiro ministro e é dividido em três territórios e dez províncias, e essas dez províncias são governadas por outros primeiros ministros e as cidades, como Montreal por exemplo, são governadas por prefeitos.


O Tio Sam de novo...

Caramba, como são chatos.
Pois é, os dirigentes e as classes dominantes dos Estados Unidos nunca tiveram noção mesmo, até aqui eles foram [são] malas, arrogantes e cretinos.
Estava estudando um pouco sobre a história do Canadá, e eles tentaram já invadir o Canadá algumas vezes, é claro que antes de se consolidar como nação, eles conseguiram roubar territórios.
Ainda conversando com o Normancha:

“Ou comprando outros como no caso da Luisiana: Aos poucos anos depois da conquista da Nova França pelos Ingleses, Napoleão vendeu o grande território da Lusiana aos Estados Unidos só por aproximadamente 15 000 000 $ (dolares), que nessa época era muito dinheiro."

Normal né? Se pensarmos na história, veremos que já invadiram e tomaram posse de terras dos índios, primeiramente, depois dos Mexicanos, agora dos Árabes! Oras, porque o Canadá, tão pertinho, não poderia ter umas terras tomadas? E tomaram algumas sim, e tentaram até invadir, mas falharam.

“A Primeira tentativa de invasão do Canada pela nova República Americana em 1775: http://frwikipedia.org/wiki/Invasion_du_Canada_(1775), e a Guerra Anglo-Americana de 1812-1814: http://fr.wikipedia.org/wiki/Guerre_anglo-am%C3%A9ricaine_de_1812. Algumas pessoas dessa época concordam que no caso de que o Canadá tivesse outra tentativa de invasões depois pelos Estados-Unidenses, não houvesse podido resistir mais por causa do fraco número de população do país.”

Aliás, estava lembrando um dia desses como funcionam os meios de comunicação, principalmente os filmes: quando eu era um menininho, bem pequenininho, uma “quiança” [um Suguinha júnior], eu me lembro dos filmes de caubóis onde os índios malvados precisavam ser detidos pois eles escalpelavam [rasgar com escalpelo, arrancavam o couro cabeludo com o cabelo junto] os pobres mocinhos...
Mais tarde estudando um pouco de história, através de alguns livros, artigos e textos, a gente vai descobrindo outras versões [normalmente a história é sempre contada a partir da visão dos vencedores, não dos vencidos].
Na real, eram os caubois bonzinhos que escalpelavam os índios, parte da “arrecadação” era usada para fazer lindas bonecas de porcelana para as filhinhas dos grandes fazendeiros e poderosos, mas na real era um modo dos mocinhos poderem ganhar um dinheirinho justo: o chefão da área pagava por índio morto, e para comprovar quantos índios “selvagens, primatas e atrasados” eram assas... hum... ahn... digo, quantos aborígenes a menos existiam, eles deviam trazer a prova e assim recebiam literalmente por cabeça.

“Pois sim! A prática do Escalpelamento foi introduzida pelos espanhois, ingleses e franceses, simplesmente para poder pagar aos soldados e mercenários um valor para cada um dos indios mortos durante confrontos con eles. Depois os guerreiros indios retomaram essa prática só para como troféus simbólicos: http://fr.wikipedia.org/wiki/Scalpation].”

Fantástico não?

Para uma próxima vez eu conto sobre outras curiosidades sobre a colonização, histórias de guerras, invasões e mais questões culturais.

Antes que me esqueça, contei com a ajuda no Normancha para esse texto, os trechos em itálico são de autorida dele assim como as sugestões de links.

Até mais.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mais um morador na casa [mensal, mas é]

David Caplam

Jovem senhor de cinquenta e seis anos se não me engano, com um visual meio “bicho grilo”, descedente de judeus que vieram para cá depois da primeira grande guerra mundial. De mãe descedente de poloneses e pai descendente de russos.
De cabelos compridos e brancos, barba grande e sempre com algum tipo de chapéu ou boina.
Outro que gosta muito da cultura latina, de lingua materna o inglês mas com um francês perfeito [inclusive me ajudando com conversação], compreende muito bem espanhol e um pouco de português, já viajou diversas vezes para o México, não sei se foram seis ou oito, sempre com o próprio furgãozinho.
Ele sempre vem todo começo de mês e fica uns dias aqui na casa do Normand. Explicando, ele trabalha com mel, ele a namorada e uns poucos amigos trabalham na produção de mel orgânico, eles fazem os contatos e vêm para Montreal todo início de mês fazer as vendas e novos contatos.
Ou seja, todo início de mês ele fica aqui mais ou menos durante uma semana e depois volta para a casa dele que é no interior entre as montanhas.

“Mas porque raios ele está falando desse tiozinho agora?”

Esses dias ele estava falando sobre alguns sintomas e males recorrentes em algumas pessoas do Canadá, e em especial onde ele mais conhece que é o Quebec.

Estavamos conversando sobre o excesso aqui: as pessoas tem tudo e querem ter tudo em quantidade e volume, comida, bebida, cigarro, máquinas, aparelhos... tudo em excesso [vejam, não é uma observação minha, é a de mais um quebecuan que veio me falar sobre isso].
David falou que ele gosta de ter apenas o que é essencial e o que precisa, em tudo: seja para comer, seja para trabalhar ou para o dia a dia. E enquanto falava, sempre procurava estabelecer comparações com o México, onde ele dizia que apesar das pessoas viverem em dificuldades financeiras e o sistema público ser caótico e precário as pessoas são mais felizes e tem mais alegria.



O social e o público no Canadá.

Aqui no Canadá é bem diferente na realidade brasileira e, com certeza, de qualquer país da América Latina.
Existe, por exemplo, no Canadá um departamento chamado bem estar social, em que, se por caso voce estiver desempregado, receberá por mês do governo algo em torno de CAD 400,00, é pouco até para os padrões daqui, mas é algo.
Sem contar que todo sistema de saúde é gratuito, com exceção de odontos e oftalmos, [com relação a oftalmo, excluem-se as operações que são custeadas pelo governo], um sistema de transporte eficiente e por um preço acessível.
Tudo relacionado às finanças e impostos e taxas é bem simples e direto. O governo é bem claro e todas as pessoas tem acesso ao modo de funcionamento, nas notas fiscais vem sempre descrito o valor sem imposto e com imposto. O cidadão aqui sabe quanto está pagando de imposto em cada compra que efetua.


Voltando à nossa conversa

David observou que apesar da precariedade do sistema publico ou a ineficiência desses tópicos, no México as pessoas vivem felizes e tem mais alegria do que as daqui que possuem muitas coisas além de vários benefícios se comparado à países da América Latina ou do dito terceiro mundo.

No Canadá de um modo geral, mais em Quebec especificamente, tem muita gente que se suicida, isso é um fato, triste mas é.
Sobre isso falarei mais para frente.

Um vazio existencial que precisa ser preenchido com coisas: máquinas novas, computador novo, muitas roupas, muita tecnologia, comida, bebida, diversão, prazeres... Muitas pessoas moram sozinhas, tem sua independencia financeira, alguns uma boa estabilidade financeira, muitos tem carro, mas... parece às vezes faltar algo.

O David disse algo muito interessante:

“I’m not a religious man, but, every day, when I wake up, I say: thanks... gracias por la vida!”

Continuou falando que as pessoas deveriam ser gratas pelo dom de existir, pelo dom de viver, de poder fazer coisas, de conhecer, aprender, ensinar, ver, ouvir, comer, sentir...

Eu traduzi para ele a minha versão, que é procurar sempre ter um coração grato, apesar de qualquer coisa.


Coincidências

Nesses dias eu recebi uma mensagem da minha namorada pelo emeio, e vi que tinha muita relação com o que estou escrevendo agora:

“...Estamos sempre reclamando de alguma coisa, eu sou assim, sempre tem algo que não esta muito bom, o cabelo, a pele, o salário, mesmo estando saudavel e sem dor...
Precisamos aprender a valorizar as coisas boas... a cama pra dormir e descansar, o trabalho que nos da o sustento, o alimento de cada dia, a condição que temos de comprar um remédio ou ir ao medico pra cuidar da saude...”


Como diz o ditado: quem tem ouvidos para ouvir... ou no caso, olhos para ler...
Não adianta, sempre vai ter alguém que vai ler e vai arranjar desculpas, pretextos e dizer: “ah, mas e se... ah, mas no meu caso... ah, mas porque eu.. ah, mas... ah, e se...”
Sempre, sempre, sempre.

Nós sempre achamos que se tivessemos mais dinheiro as coisas seriam melhores, se fizessemos uma plastica aqui e outra ali nos sentiríamos melhores, se tivessemos um carro melhor não teriamos tanta dor de cabeça, se tivesse uma casa na praia ou no interior poderíamos descansar mais, se ficassemos famosos e conhecidos na telinha tudo seria diferente.
Às vezes sempre achamos pretextos para justificar nossas incompetências e nosso medo de nos encararmos, de estar em contato com o que realmente somos, sentimos, pensamos e queremos.
E muitas vezes, necessariamente o que será melhor para nós não tem que ser algo bom... Só com o tempo amadurecemos e aprendemos [se quisermos] a ver que algumas coisas que nos acontecem são necessarias para que nós acordemos, ou percebamos erros e pontos fracos ou atitudes que devem ser mudadas.


As nossas necessidades

Sempre mudamos de idéia quanto ao que “seria bom” para nós e “melhoraria” nossa vida: primeiro reclamamos que não temos um carro, que se tivessemos um carro tudo melhoraria.
Conseguimos o carro.
Agora como tem muito transito, uma moto não seria uma má idéia... Todos os problemas se resumem ao transito e para a aquisição da moto.
Conseguimos a moto.
Mas como trabalhamos muito para pagar a prestação da moto [isso se as do carro estiverem quitadas], ficamos muito cansados... Ah... se tivessemos uma casa na praia...
Depois de um tempo, temos a casa na praia.
Pois é... muito trabalho para pagar muitas contas... prestações que devem estar faltando de algum auto, outras da praia... E os empréstimos feito no banco para a casa própria?
Mas é melhor trocar o carro, afinal, já faz um bom tempo que estamos usando ele e agora, indo para a praia, não dá para ter um modelo economico, precisamos um mais potente para levar família e amigos.
E trocamos de carro. Muitas vezes sem ter pago o outro.
Mas a praia já não é a mesma: afinal, além da rotina de todo esse tempo indo sempre para a praia, precisamos variar um pouco e ela já não é a mesma, muita gente, praia suja, transito todo fim de semana... O interior, o campo! Isso, boa idéia.
Lá vamos nós nos matar para conseguir ter um pedacinho bucólico no interior para podermos ter paz e sossego, longe de transito, poluição, barulho, stress...
Mas para ir para o interior... é melhor ter um outro carro, tipo um estilo jipe ou com tração nas quatro rodas, grande e que aguente o tranco e toda família, amigos e chegados.
Muito bem. Mais um carro, afinal, é melhor prevenir do que remediar, afinal, para ir para o interior não é nada fácil.
E finalmente temos nosso pedacinho de terra em algum lugar no interior.
Mas depois vemos que não aguentamos mais os pernilongos, borrachudos, bichos picando a gente, saudades dos grandes centros comerciais da cidade, as emissoras a cabo não funcionam, não tem nada... Os filmes da locadora são todos antigos e o acesso à internet não é tão bom e o laptop deu problema de novo, o Windows vista deu pau e voce perdeu todo HD mais uma vez. Ótimo fim de semana.
Puxa, de vez em quando ficar na cidade não é tão ruim. Só precisamos fazer alguma coisa para prencher nossas necessidades [?], dar uma volta, um passeio no final de semana ou nos feriados pela cidade.
Ai está na hora de trocar o antigo carro, melhor ter um modelo esportivo, mais bonito, só para um lazer...
Mas poxa, não dá para sair pagando de bonitão, de bem sucedido com algumas "musculos" a mais que não existem no livro de anatomia [aqueles que fizeram voce perder algumas calças por não entrarem mais], então, nada como uma plástica ou lipoaspiração para dar um upgrade no visual. Afinal, imagem é tudo... não é?
Afinal o que as pessoas podem pensar de nós é algo muito importante. Não é?
E assim vai nosso ciclo de “necessidades”, e cada uma delas vai nos levando à outra que nos leva à outra e que leva à outra e então surge a oportunidade de ter isso e depois aquilo...
E continuamos buscando coisas [dinheiro-coisa, pessoas-coisas, objetos-coisas, auto-coisas, móveis-coisas, sexo-coisa, relações-coisas, coisas-coisas...] para preencher as nossas “necessidades”.

Talvez estamos nos esquecendo de algumas coisas.

De ouvir as nossas reais necessidades, de nos preocupar mais com as pessoas que realmente nos amam e nos preocupar em ser belos para quem nos ama e amamos.

Ou ainda, sermos belos para nós mesmos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As comidas...


Aqui só tem fast food

Assim que cheguei aqui, o que fiz logo depois que me acomodei na minha nova casa?

Sim, fui andar pelas redondezas para me orientar e conhecer e reconhecer o local.

Mas ok, mas o que eu fui procurar?
Isso mesmo, lugares para comer...

Algo que achei curioso, foi o fato da rua de trás de onde moro, a St. Hubert, ser uma grande rua comercial com fast food de tudo quanto é coisa a cada esquina, e entre as ruas que a cortavam também.
Tem de tudo: comida tailandesa, vietnamita, chinesa, japonesa, árabe, italiana, brasileira, hamburgueres, hot dogs, vários cafés, diversos fast foods de pizza e muitos de frango.


Fast Dog e Fast Pizzas

Aqui tem uma rede de fast food chamad Valentine’s. Gostei!
São diversos tipos de hot dogs com grande variedade de acompanhamentos, os famosos “trios” que todo mundo já conhece. E tem trios especiais para inverno e janta: hot dog com sopa! Eu comi e gostei, nada mal.

De pizzas então são umas duas por quarteirão [ok, estou exagerando, é modo de falar tá bom?], e mais uma vez, sim, existe também as famosas opções de trios ou números.
Até agora não repeti a mesma lanchonete de pizza, só para ver se todas são boas mesmo... E gostei também, nada mal. Tem diversos tipos de massa, mas as mais comuns aqui, e provavelmente o que o público mais gosta, são as massas finas e as de pepperoni, poulet, tout garnie, québécoise, mexicaine, végétarienne e hawaïenne. Essas são as mais encontradas.


Galinhas, frangos e galinhas

Lembram do KFC?
Quem já passou dos vinte e tantos anos e morava nos grandes centros deve se lembrar do “baldinho do tiozinho com galinhas”, aqui, é o PFK, ou Poulet Frit Kentucky.

Aqui tem alguns.

E claro que já fui "ver como é que é".

Era uma das minhas refeições preferidas da minha época de cursinho. Fazia tantos anos que eu não via um, que quando entrei tomei um certo susto com a diversidade de opções que tinha e o modo de serviço e tudo mais, o que mais gostei foi o refil de refrigerante ou chá gelado no qual você podia pegar o quanto quissesse, que aliás, aqui é bem comum um tipo de chá gelado chamado Brisk Lemmon, tem um sabor um pouco diferente dos similares que temos no nosso glorioso [*].

Para minha surpresa, não é que existem outras redes similares?
Sendo bem verdadeiro, a primeira refeição de fast food aqui, foi a St. Hubert que fica na av. St. Hubert, é um PFK mais elegante... Muito bom.
A outra que eu experimentei foi a Au Coq, também seguindo o mesmo padrão.
O trio básico de todas essas redes é composto de uma fatia de pão tostado, salada que em alguns casos você escolhe o tipo, batatas fritas de diversos tipos, e os molhos que acompanham a carne, que também, possuem muitas versões: a carne com massa crocante estilo PFK, assada, empanada...

Parece que o pessoal aqui gosta de um poulet.

Sorte minha.

[*] Em tempo, para quem não sabe, quando for citado o "nosso glorioso", leia-se o nosso Brasil!