domingo, 20 de junho de 2010

Carta de uma mãe em busca de respostas

"Querido pastor Caio Fábio,

Eu sou uma mãe que acaba de perder uma filha linda, maravilhosa de 26 anos, com apenas cinco meses de casada... Hoje faz sete dias que a perdemos...

Ela era poesia, cor, música e sensibilidade...

Nós somos uma família que conheceu Jesus quando as nossas três meninas tinham entre três e oito anos. Passamos por grandes lutas e desafios e congregamos na Igreja Presbiteriana do Setor Sul de Anápolis com o Pr Ronaldo Cavalcante.

Caio Fabio, seguimos os seus passos todas as vezes que você esteve por aqui.

Quarta feira passada por volta das 13 horas meu marido me falou que tínhamos que ir para Goiânia porque a nossa filha do meio, a Polyanna, tinha desaparecido...a minhas pernas sumiram....mas eu levantei e entrei no carro para ir para Goiânia pois ela morava lá e estava casada e feliz.....

Apenas com 26 anos a publicitária mais conhecida da cidade por causa da sua alegria e capacidade de incentivar empresários a acreditarem em seus próprios negócios.

Os homens da família foram para a delegacia... e nós as mulheres da família ficamos 30 horas orando, clamando a deus e esperando o pedido de resgate, tendo em vista que o caro já havia sido encontrado com seus pertences dentro e o mesmo havia sido queimado para apagar provas e digitais, dificultando o trabalho da policia...

Oramos sem cessar e ouvimos, e lemos a Palavra; e tivemos a certeza de que o resgate seria pedido e esperamos que ela voltaria para nós e com sua tremenda capacidade poética e criativa e como uma menina apaixonada por Jesus ainda escreveria um livro para promover quebrantamento e conversão em muitas vidas....

A única palavra que eu queria ouvir nestas 30 horas de vigília e emoção, aflição e angustia profunda era: "a encontraram"...; ou um toque de telefone com o com o pedido de resgate...

Finalmente alguém entra naquela casa onde estávamos amigos e parentes amontoados na sala escorregando do sofá para o chão, então ouvimos: "achou", mas foi encontrada morta com dois tiros...

Acabei de ler sobre o amor de pai que agradece a deus por saber que seu filho, para ficar livre desse mundo, tenebroso chamado por Jesus... Não consigo neste momento ter este sentimento de gratidão porque tendo certeza de que não era esse o desejo dela também...

Nós todos estávamos fazendo uma campanha de oração e eu sei quais eram os planos dela para o futuro... Planos de paz, de criação, de crescimento, para que o mundo conhecesse o talento gratuito que deus lhe deu...

Não posso considerar que a minha não aceitação é egoísta... ela queria viver aqui com o seu querido marido a lua de mel que a esperou por 8 anos, ela queria ter filhinhos e levá-los para jogar bola com o avô que não teve meninos, só meninas, ela queria realizar sonhos comunitários.

No ano passado ela criou um site: www.amigoinedito.com.br para movimentar os internautas a fazerem boas ações e registrarem seus depoimentos neste site.

E agora... Eu entendi a resposta que deram para o "mano", mas voltar a falar com deus esta difícil demais...

Ainda não sabemos quem foi o sujeito que atirou nela, mas eu não posso acreditar que foi vontade de deus... se foi o ódio do inimigo das nossas vidas eu pergunto por que Jesus deixou assassinos interromperem a caminhada de uma mensageira de Deus ???


Resposta:
Minha irmã amada: Graça e Paz!


Do meu ponto de vista...
Adão não deveria ter pecado; Caim não deveria ter matado Abel;
os filhos de Caim não deveriam ter construído Babel;
Cão não deveria ter "abusado" na nudez do pai, Noé;
Abraão não deveria ter gerado filho de sua serva, Hagar;
Jacó não deveria ter enganado Esaú e nem Esaú deveria ter trocado a "bênção" por um prato de lentilhas;
os filhos de Jacó não deveriam ter traído José;
Moisés deveria ter entrado na Terra de Canaã;
a filha de Baraque não deveria ter sido morta pelo voto do pai;
Sansão não deveria ter morrido daquele jeito;
Davi não deveria ter surtado nunca; e, por isto, não deveria ter perdido nenhum filho;
Isaías não deveria ter sido serrado pelo meio;
a mulher de Ezequiel não deveria ter sido morta como parábola para ensinar os incrédulos;
Oséias não deveria ter sido tão infeliz no casamento;
os inocentes deveriam ter sido poupados em todas as chacinas;
nenhuma criança deveria ter morrido pela ambição dos adultos;
nenhuma mãe jamais deveria ter comido seus filhos no auge da fome;
João Batista deveria ter vivido vida longa e honrada, ao invés de acabar sem cabeça em razão de uma bunda bonitinha;
Jesus, O Verbo, A Palavra, não deveria ter sido morto;
a Ressurreição não deveria ter sido tão discreta...
os apóstolos, como Tiago irmão de João, não deveriam ter sido mortos por nenhum capricho [e todos foram...];
Paulo não deveria ter sido morto justamente quando os cristãos mais precisavam dele;
milhares de testemunhas também nunca deveriam ter morrido uma morte sem sentido, banal;
enquanto os maus prosperam; enquanto a injustiça foge do juízo; enquanto a verdade é pisoteada; enquanto a maldade se torna poder; enquanto gente boa some... sem explicação...

Sim, entregue a minha visão menor do que a de uma ameba e mais egoísta do que eu mesmo consigo discernir a profundidade do egoísmo, eu poderia consertar o mundo; impedir todas as injustiças; ajudar Deus a ser Deus; determinar o melhor pro mundo, pros meus filhos, pra minha vida; enfim, eu, entregue a mim mesmo, seria tão cheio de boas idéias..., que ninguém que eu amasse morreria; sim, ninguém...; e se morresse seria com meu consentimento, entendimento, compreensão e apoio a Deus na Sua soberania!...

Ah, se eu fosse o Deus do mundo ninguém morreria; ou, então, ninguém que eu gostasse; e, da minha casa, certamente ninguém morreria; não enquanto eu estivesse vivo...

Eu, todavia, há muito aceitei e vi que de fato não vejo; percebi que de fato não discirno; entendi minha limitação de entendimento; constatei que meu melhor amor é ainda por mim mesmo e por meus sonhos; aprendi que meus amores são "meus" e por "minha causa"; pois, morre o vizinho, e não sinto; morre o jovem da esquina, e logo esqueço; milhares são vitimados, e eu apenas lamento; o mundo acaba em vários lugares da terra, e eu agradeço que não seja AQUI...; e, aqui, é onde moro, vivo; e AQUI não posso conceber que aconteça o que no mundo inteiro acontece...

O que não dá é para sofrer em nome de sua filha os sofrimentos que ela não está sofrendo...

Sim, pois você queria ver a sua filha casada e feliz no casamento; tendo filhos; se realizando profissionalmente; etc... Esses são os seus sonhos e um dia foram os dela... Mas saiba: AGORA já não são [...] mais sonhos dela, mas apenas seus [...] por e para ela...

Hoje, para ela, o melhor marido é nevoa perto da Glória; a melhor lua de mel é amarga se comparada à alegria dela; os filhos mais lindos são miragens quando comparados aos encontros de amor que ela está tendo; as realizações profissionais que lhe orgulhariam, hoje, agora, para ela, são as canseiras e os enfados que cessaram...

O problema é que você não teve tempo para se realizar nela!...

É claro que a dor é indescritível... E ninguém pode dizer que não conheço tal dor... Mais de uma vez...

Todavia, é como pai que perdeu filho; como filho que perdeu pai; como irmão que perdeu irmão; como amigo que já perdeu milhares de amigos, que lhe digo que meus sentimentos seriam todos como os seus, não fosse o fato de que discerni faz tempo, que a maior dor dos enlutados é ainda egoísmo pelo outro [...] cuja alegria está plena, mas não a nós...; e, também, vi que tais sentimentos são todos o resultado de minha vontade de me ter nos meus filhos, de me reproduzir neles e assistir tal fato; ou seja: descobri com toda honestidade que minha frustração era não poder gozar a vida neles [...], nos que foram...

Entretanto, hoje, o que lhe digo parece sem coração e fácil de dizer...

Mas não é...

O que é então que me faz dizer o que digo?...

Ora, é a simples coerência com a fé que professo; é a simples coerência com Jesus; é a simples coerência com a existência que mata os homens dos quais o mundo não é digno; é coerência com João Batista, que não era inferior ao meu filho Lukas, e, mesmo assim, morreu por um capricho...

O que posso lhe dizer é que somente a transcendência da fé que se projeta para a Vida que é, sim, somente tal poder pode nos fazer vencer tal dor; a qual, por mais legitima que seja, sempre mistura amor e egoísmo; sempre mistura fé com privilegio; sempre crê que a vida eterna é uma belezinha apenas para quando a gente estiver caquético...

Leia os evangelhos e veja se é justo você pensar que a vida dos discípulos de Jesus esteja para além da calamidade!...

Sei que no momento minha resposta chega a você como vinagre na ferida... Infelizmente, no entanto, não tenho consolações vazias; e nem digo a ninguém o que Jesus jamais disse... Jesus nunca consolou ninguém dizendo "Que Pena! Tão Novinho!"...

Na realidade, ao olhar o mundo, mais creio e internalizo como verdade a declaração que diz que é preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus santos!...

O que eu digo [...] você não entende agora, mas compreenderá depois!...

É justo e sadio chorar os nossos amados...

O que não é certo é perguntar por que em mundo que mata tanto todos os dias, gente que amemos também possa e venha a morrer?...

Além disso, o fato de ter sido um seqüestro seguido de assassinato, do ponto de vista de Jesus, não muda nada; posto que Lhe tenham falado das desgraças e maldades praticadas por Pilatos, ou do acidente idiota na Torre de Siloé, e, a tais narrativas, Ele não acrescentou nada em especial; visto que Dele não se tenha havido um "Oh!"; ou um "Ô"; ou um "Que coisa!"...

Não! Ele apenas disse: "Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis!"...

O fato é que Jesus não tem misericórdia e pena por ninguém que esteja partindo desse mundo para a morada do Pai!

Você teria?...

Sinto saudades... Choro... Abraço as memórias... Beijo meu filho no meu coração todos os dias... Mas não o traria de volta se pudesse... Sim, jamais desejaria a ele tal maldade de tê-lo de volta a esse mundo, uma vez que dele meu filho esteja livre para sempre...

Você acha mesmo que o sucesso Publicitário é para comparar com o nome dela publicado no Livro da Vida?...

Seu olhar está enterrado neste mundo, e, por isto, fica impossível hoje para você o alegrar-se na Glória de Deus!

Entretanto, eu lhe digo:...

Se tais "perdas" não nos projetarem para Deus pelo menos pelo afeto eternizado por filhos que já se foram para a Casa Eterna, pergunto: quando então se amará a eternidade ainda vivendo neste mundo?...

Será que um crente só deseja e celebra a eternidade quando o câncer já comeu tanto os órgãos, que a dor é tão desesperadora que a pessoa quer ir para Deus não por Deus, mas apenas para ficar livre da dor?...

É mesmo assim?...

Deus é apenas uma alternativa ao desespero da dor sem cura neste mundo?...

Ora, se é assim Deus ainda não é amado por nós!...

Chore! Chore! Chore! Pois dói demais!...

Mas chore enquanto vê sua filha em Glória; e, portanto, ao chorar, chore por você e não por ela; posto que se ela visse você lamentando a gloria dela, ela lhe diria:

"Mãe! Você não viveu para a minha felicidade?... Então, por que se entristece com minha plenitude em Deus?"

Além do que já disse, não tenho nada para dizer a ninguém e nem a você, minha amada irmã no Evangelho e no luto!...

Entretanto, sei que somente o Espírito Santo pode tornar alguém apto para discernir [...] e se consolar com tais realidades invisíveis...

Oro por você e pela sua casa... Oro pelo seu genro... Oro para que vocês se gloriem na esperança da glória de Deus, conforme se mande que seja para quem de fato crê em tudo o que confessa como fé em tempos de bonança...

Receba meu amor e minha solidariedade!

Nele, que ama nossos filhos mais do que em nosso egoísmo a gente consegue conceber o que seja amor,

Caio
30 de setembro de 2009
Lago Norte

Fonte/Link: http://caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=05359

quarta-feira, 31 de março de 2010

Programação do Centro de Memória do Circo

Pessoal querido,

Para quem curte artes, principalmente circo, teatro e cinema, vai rolar nas próximas semanas um ciclo de curso e filmes comentados por grandes pesquisadores e pensadores das artes.

O curso é gratuito [\o/] e os cines debates terão o valor simbólico de um real, sim 1 real [R$ 1,00]

Divulguem!

Onde fica?

Centro de Memória do Circo

Galeria Olido - São Paulo

Av. São João n.473 - térreo [próximo à estação República de metrô]

telefone: (11) 3397 0199


Inscrições:

(11) 3397 0177

contato: memoriadocirco@prefeitura.sp.gov.br

Divulguem! Participem!

abraços


CURSO - O CIRCO E O MODERNISMO BRASILEIRO: VERTENTES E DESDOBRAMENTOS

Distribuído em três etapas, o curso pretende situar o universo do circo, destacar características específicas e modos de ser dessa arte popular, de sua linguagem gestual e verbal, visando caracterizar a representação dos palhaços. O interesse é o de relacionar essa vertente fecunda da cultura popular com diretrizes das vanguardas européias do século XX e acentuar a importância do circo no âmbito do modernismo brasileiro na década de 1920.

Nessa discussão serão focalizadas obras de diferentes artistas no campo da pintura, cinema, literatura. Em relação à literatura e à crítica, serão destacadas obras de Oswald de Andrade e de Mário de Andrade, textos de Yan de Almeida Prado, Decio de Almeida Prado, Paulo Emilio Sales Gomes. Nesse contexto, distingue-se ainda a presença no Brasil do poeta fraco-suíço Blaise Cendrars, primeiro a reconhecer o talento do palhaço Piolim.

Professora: MARIA AUGUSTA FONSECA

Profa. Livre-Docente do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada FFLCH - USP , autora dos livros Palhaço da burguesia - Serafim Ponte Grande e o universo circense. São Paulo, Polis, 1979, Oswald de Andrade - Biografia. São Paulo, Globo, 2008, 2ª edição

Datas: 9, 16 e 23 de abril de 2010, das 14h30 às 17h30.

Número de vagas - 20

CINE-CIRCO COMENTADO

DIAS 9, 16, 22 e 29/4, SEMPRE ÀS 18H30

IDADE RECOMENDADA: 10 ANOS

ENTRADA FRANCA


Macunaíma - Dia 9 de abril

(Rio de Janeiro, 1969, 35mm, cor, 105' - exibição em DVD)
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Jardel Filho, Milton Gonçalves
Macunaíma é a história de um anti-herói, ou um herói sem nenhum caráter, nascido no fundo da mata virgem.

Após a sessão, Maria Augusta Fonseca, professora de literatura, autora de "Palhaço da Burguesia" e da biografia de Oswald de Andrade, vai comentar o filme, destacando aspectos circenses da obra.

SUA MAJESTADE PIOLIN - dia 16 de abril

(São Paulo, 1971, cor, 13' - exibição em DVD)

Direção: Suzana Amaral
O palhaço Abelardo Pinto Piolin narrado por ele mesmo. O artista fala de sua carreira no circo, de seu relacionamento com os modernistas e apresenta um número com o palhaço Tony.

Após a sessão, Suzana Amaral vai comentar o documentário que dirigiu no início de sua carreira nos anos 70, quando ainda cursava cinema na ECA. Trata-se de um trabalho de iniciante, é o 2o filme dirigido pela cineasta, embora já se perceba o que viria a ser a sua dedicação para com a sétima arte.

SANTA SANGRE - dia 22 de Abril

(Santa sangre, 1989, México/Itália, cor , 118'- exibição em DVD)

Direção: Alejandro Jodorowsky

Elenco: Axel Jodorowsky, Sergio Bustamante, Thelma Tixou, Sabrina Dennison

Um sádico diretor de circo mutila a esposa depois que ela o flagra com outra mulher. O filho do agressor testemunha tudo e, traumatizado, é internado num manicômio. Anos mais tarde, mãe e filho se reúnem para uma aliança sangrenta e herética.

Após a sessão, o filme será comentado por Maria Alice Vergueiro, atriz que se tornou conhecida pela nova geração através de "Tapa na Pantera", está dirigindo a peça "As três velhas" de Jodorowskyi com estréia prevista para agosto.

O PROFETA DA FOME - dia 29 de Abril
(São Paulo, 1970, 35mm, pb, 93 min)

Direção: Maurício Capovilla

Elenco: Maurício do Valle, José Mojica Marins, Júlia Miranda,

O faquir Ali Khan, principal atração de um circo decadente que percorre o interior paulista, provoca a revolta do público ao se recusar a levar adiante um número em que deveria comer carne humana. Partindo para outra cidade, decide apresentar seu derradeiro espetáculo.

Após a sessão, o filme será comentando por José Mojica Marins, que interpretou no filme o faquir Ali Khan, personagem inspirado no faquir Silk que, por várias vezes jejuou no Paissandu e entorno, e de quem Mojica foi amigo pessoal.

CAFÉ DOS ARTISTAS

Sempre às segundas feiras a partir das 15h00

Homenagem ao "Café dos Artistas" - encontro entre artistas e empresários circenses que ocorre, desde o início do século XX, no Largo do Paissandu, às segundas-feiras.

Cronograma

5 de abril - Dando continuidade ao programa "Memória Oral do Circo Brasileiro", o Centro de Memória do Circo entrevista a curitibana Denise Wal e o baiano Jailton Carneiro, artistas circenses do Cirque du Soleil que integram elenco do espetáculo em turnê pelo Brasil

12 de abril - Programa "Memória Oral do Circo Brasileiro" entrevista Alcebíades Albano Pereira, filho de Albano Pereira, o Fuzarca, e neto de Alcebíades Pereira, parceiro de Piolin na década de 1920, e bisneto de Albano Pereira - um dos maiores empresários da história do circo brasileiro.

19 de abril - Bate papo com Marlene Querubim, empresaria circense, diretora fundadora do Circo Spacial, da Academia Brasileira de Circo e da União Brasileira de Circos Itinerantes - UBCI, que estará autografando os livros de sua autoria "Marketing do Circo" (2003), "Coração na lona" (2007) e "Momentos mágicos - poesia" (2009), todos da editora Orion

26 de Abril - Programa "Memória Oral do Circo Brasileiro" entrevista Dayse Seyssel Piro Barreto e Neide Seyssel Piro Parasmo, da tradicional família Seyssel que, entre outros artistas, gerou Waldemar, o palhaço Arrelia. Dayse, que nasceu no Largo do Paissandu, no início da década de 1930, quando o circo de sua família ali fazia temporada, fez parte da primeira corporação feminina da Guarda Civil, em 1956.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

... para os colegas de fé...




Um dia desses eu recebi na minha caixa de entrada um email que tinha um texto do Ed Renê falando sobre questões relacionadas à fé e sobre os milagres hoje em dia, sobre Cristo, sobre a vida...

Confesso que às vezes evito de responder mensagens coletivas por diversos motivos, mas dessa vez fui impulsionado à fazê-lo quase que instantaneamente.

Apesar de pouquíssimas pessoas terem se manifestado a respeito do que escrevi, ainda assim resolvi postar.

Não alterei nada para colocá-lo aqui, embora a vontade de fazer algumas mudanças para melhor fossem bem fortes.


como diz o título de um grande disco instrumental de música brasileira, esse é um texto para “a quem interessar possa”...


[me desculpem o "evangêliques" utilizado durante o texto, só o usei com fins "didáticos" para exemplificar]



Engraçado...


sabe o que me fez lembrar?


Cristo e os milagres que ele fez...


e mesmo fazendo, com testemunhas, ainda não acreditavam nEle.


Doze pessoas o acompanhando durante três anos, pessoas que eram próximas, conviviam diariamente.

Foram testemunhas de feitos, das atitudes, do modo de agir e falar, e ainda assim:


duvidavam

não entendiam

não compreendia

não acreditavam.


Como diríamos, "lesadinhos"


multidões o acompanhavam, iam até o deserto


E Ele multiplicava pães e peixes.


E ainda assim foi traído.


Ainda assim não entendiam a mensagem.


E depois, logo em seguida, multiplica de novo pães...

situação quase igual...


de novo as mesmas perguntas?

Ele fez tantos milagres, tantas testemunhas, tanta gente tão próxima mas...

parece que alguns não mudavam muito.


em quantos desses houve real transformação?


a multidão perseguia-o para conseguir uma "bença", um "milagre".


Me lembrei dos dez leprosos... só um voltou.


Eu disse uma vez numa célula, que os milagres que Cristo fazia eram como se fossem um "chamariz"... claro que muitos deles [como curar leproso p. ex.] eram para atestar a questão da messianidade de JEsus, mas parece que na verdade, o que ele estava realmente interessado, era atrair as pessoas para mostrar um "outro" estilo de vida, um novo modo de viver, convidar as pessoas para uma mudança no modo de pensar e agir.


um modo melhor de viver, mais humano.


ao mesmo tempo, mais divino.


com mais amor.


Mas parece que isso é bem difícil...


é bem mais fácil pedir milagres do tipo:


"quero casa"

"quero carro"

"quero aumento de salário"

"quero ganhar causa na justiça"

"quero namorado[a]"

"quero casar"


E não creio ter nada de errado nisso... querer coisas boas todos nós queremos [exceção feita ao último item no qual você ganha de brinde uma sogra].

O problema é como nos relacionamos através delas com Deus e com as outras pessoas, que tipo de relação é criada.

E como lidamos com questões mais importantes e relevantes que dizem respeito à nossa alma, ao nosso coração e à nossa fé.


Mas que é bem mais difícil pedir:


"Deus, me ajude a ser egoísta pelos outros assim como sou comigo"

"Senhor meu Deus, meu pai... me dê forças para orar pedindo coisas para meus amigos..."

"Senhor Jesus, me perdoa e muda meu modo de encarar as coisas.. tão terreno e distante do Senhor"

"Meu Deus, Eterno Senhor, me muda Senhor... me ajuda a tentar ter um mínimo de amor pelos outros, não deixe que nós, como igreja, nos tornemos mais irrelevantes"


O maior milagre é a nossa mudança.

mudança na nossa vida, no nosso modo de pensar e agir

no modo de sentir


Pedir esse milagre para Cristo.


é nos não sermos egoístas

falsos

hipócritas [o pecado do vizinho é sempre pior que o meu...]

mediocres [du jeito que tá, tá bom... vou na igreja uma vez por semana, sempre faço campanhas, falo em línguas, dou dizimo e oferta!]

cínicos [só pode se for para usar mal a bíblia com intuito de validar as próprias vontades e desejos]

arrogantes e prepotentes ["çó podi ci fô unjidu di Gizuis"]

fariseus [quer dizer, maus fariseus... porque se for um "bom"fariseu, hoje em dia, tá tudo certo]


abraços.


Carlos Sugawara


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Como recebemos uma má notícia?




Como você reage quando recebe uma má notícia?


Vou reformular: como você fica e reage [ou não...] quando recebe uma má notícia?


Melhor: como você fica e reage [ou não] quando recebe uma notícia triste e péssima?


Qual é a nossa atitude diante de fatos que mais do que serem simplesmente tristes ou ruins, nos dizem respeito? São relacionados diretamente aos nossos sentimentos, às pessoas que amamos e às coisas que nos são caras?



“Jesus, ouvindo isso [morte de João batista], retirou-se dali num barco para um lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé, desde as cidades.

E Jesus, saindo, viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos.”


Mt. 14.13-14



Para quem não sabe, João Batista era mais que um simples amigo de Cristo: além de tê-lo batizado nas águas, foi um grande pregador e profeta no seu tempo e era seu primo.

Um parente próximo.

Alguém querido,

que era importante,

que se preocupava com as pessoas.

Que fazia parte de algo maior.

Para ajudar as pessoas, ensinar, consolar, amar.

[Ok, ok... Sim, vou pular a parte que ele era um cara no mínimo “estranho”: além de gostar de ficar andando pelo deserto, se vestia com peles de animais e tinha uma dieta bem equilibrada que incluía gafanhotos. Os amigos de Cristo eram realmente.... Diferentes.]


Uma pessoa boa, de caráter idôneo, querida e que era do mesmo sangue, morreu.

Morreu injustamente.

Por nada.

Não fez nenhum mal.

Aliás, procurava sempre fazer o bem e ajudar.

Mas foi assassinado.

Cruelmente e covardemente.

Sem julgamento, apenas por capricho


Como você ficaria?


Qual seria sua reação?


“... retirou-se dali [...] para um lugar deserto...”


Algumas vezes, em momentos de profunda dor e tristeza, precisamos ficar sozinhos.

Não nos isolar, mas precisamos um tempo para nós.


Momentos de solidão.


Às vezes as nossas muitas ocupações, as ligações que temos que retornar, os emails que temos que responder, o trabalho para terminar, o curriculum para atualizar, a visita social para fazer, ver faturas dos cartões e do banco, as muitas contas a serem pagas, agendar a consulta o médico, impostos e mais impostos...


Os nossos afazeres do dia a dia ocupam a nossa atenção, a nossa mente e acaba que podemos acabar não dando a devida atenção para o que, em determinado momento, pode ser realmente importante e urgente.


“... apartado...”


Segundo o Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, apartado pode significar [1] desviado do caminho; afastado. [2] Longínquo, remoto.


Quantas vezes, por passar por situações desagradáveis ou horas difíceis, dizemos para nós mesmos ou desabafos que tudo que gostaríamos era de sumir, desaparecer?


Quando momentos ruins vem, precisamos não só ficar sozinhos um pouco, mas também nos distanciar.


E o sossego dura pouco


“... o povo seguiu-o...”


Mas veja que coisa: quantas vezes, nós, nos nossos problemas e dificuldades, remoendo nossas dores e frustações, estamos quietos no nosso canto e chega alguém... Querendo contar algum problema, alguma dor ou simplesmente desabafar?

E como nós respondemos?


“aaahhh... mas você não sabe o que aconteceu COMIGO”

“ viiiixxxiii.. mas o MEU problema...”

“Se você soubesse o que EU estou passando...”

“Mas você não sabe o que falaram PARA MIM...”


Parece às vezes, que é nos piores momentos que nossos amigos, familiares ou colegas veem atrás de nós...


“... viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos”



Muitas vezes, certos problemas ou situações, aparecem na nossa vida em “horas erradas”, em momentos não tão ideais [como se existissem condições e horas certas para determinados acontecimentos].


Apesar do momento difícil pelo qual estava passando, ele se importava com as pessoas, tinha amor, compaixão, se identificava com os problemas delas.


“... viu uma grande multidão...”


Todos nós temos problemas não? E não são poucos...


Você conhece algumas pessoas que estão passando por momentos difíceis?

Não sabe? Vocês conversam sobre o que então?

Nunca se interessou?


Ahn...


ok.


“... possuído de íntima compaixão....”


Sentimentos.

Identificar-se com a dor de outras pessoas

Se emocionar, ser tocado, se sentir triste pelas tristezas e problemas que outros passam.

Compreender o estado emocional de alguém.

Com... Paixão?


Ser humano.


“...curou os enfermos...”



E o que fazemos à respeito disso?


Curar.


Ajudar quem precisa.


Qual sua atitude?

A atitude mais fácil que tomamos é simplesmente ignorar?

Ou então nos auto justificarmos dizendo que nós passamos por coisas muito mais difíceis?

Quem sabe alguns gostam de se colocar como quase nada, se julgando incapazes de poder fazer algo por alguém?

Não seria na verdade uma desculpa fácil?

Assim conseguimos nos eximar de qualquer responsabilidade e ainda, de brinde, passamos a imagem de “guerreiro sofredores que também tem problemas”.


Ou ainda... Por você mesmo, por nós mesmos, que tenhamos uma atitude, uma resposta frente aos acontecimentos e ao dia a dia desse mundo, dessa sociedade que nos cerca.


Que possamos mudar.


Vamos ser mais humanos


ter novas respostas e novos comportamentos para os acontecimentos


desenvolver hábitos diferentes.


Nos identificar com as dores e os problemas dos que sofrem de qualquer coisa, com qualquer problema.



E curá-los,



ajudar quem precisa.



com amor