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domingo, 29 de janeiro de 2012

Pinheirinho e a Bíblia

Pinheirinho e a Bíblia

Para todos aqueles que dizem professar a fé cristã.

Para todos os católicos, protestantes, evangélicos, cristãos, pentecostais, cristãos espíritas ou qualquer um que diga acreditar em Deus.

Na bíblia podemos frequentemente ver a preocupação de Deus e de Cristo para com os necessitados, os mais fracos, pobres, necessitados, viúvas, órfãos... ou seja, todos os que estão à margem da sociedade [se fizermos um esforço de imaginação, talvez tenhamos um mínimo de compreensão o que significaria ser um pobre há mais de 2 mil anos atrás, se hoje é ruim...].

Deus deseja que a nossa generosidade reflita a dEle. Assim como nos abençoou, devemos abençoar os outros

Pobre, viúva, órfão e estrangeiro.

O que o Deus de Cristo nos fala e pede a respeito deles?

Em toda e qualquer comunidade sempre iremos encontrar essas pessoas, e talvez, alguns deles mais evidentemente em regiões carentes

Pobres

Pobres financeiramente, pobres de cultura, pobres de amor, pobres de espírito, pobres sem acesso à arte, lazer e esporte.

Viúvas

Algumas sem marido, outras que nunca o tiveram, outras viúvas com o “marido” ainda vivo, mas preso, ausente ou sumido.

Órfãos

Alguns sem pai, outros sem mãe, outros tantos sem os dois, sendo cuidados por parentes ou amigos.

Alguns órfãos, tendo pai e mãe vivos, às vezes em casa, às vezes não e outras tantas nem sabe por ondem andam.

Estrangeiros

Uns realmente vindo de outras cidades, outros estados...

Mas talvez a grande maioria estrangeiro na própria terra, estrangeiro na própria cidade onde nasceu.

Se sentindo um pouco deslocado ou “descontextualizado” na sociedade onde vive.

Zacarias 7.10

E não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu irmão.

O que nós temos feito?

Deus não nos dá muitas opções ou sugestões, ele dá ordens, mandamentos.

Salmos 82.3

“Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado”

Sendo um mandamento claro, direto e objetivo, nós não podemos simplesmente ignorar, aliás, mais uma vez tem um padrão ÉTICO de relacionamento e tratamento para com o próximo, como está escrito por exemplo em Provérbios 21.13:

“o que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre, ele mesmo também clamará e não será ouvido”

Todos nós podemos e devemos ajudar de alguma maneira...

A bíblia é extremamente enérgica e condena a discriminação em favor dos ricos e contra os pobres, isso é uma ATITUDE CONTRÁRIA À LEI DO EVANGELHO de Cristo [se bem que nos últimos anos vem aparecendo cada coisa se dizendo “evangelho”... triste].

E para quem acredita, tem fé, tem que saber que as orações só são ouvidas quando nos atentarmos para as necessidades do nosso próximo e supri-las em e com amor.

Provérbios 14.31

“o que oprime o pobre insulta aquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado, honra-o“

Você diz que ama a Deus certo?

Portanto, o mínimo a fazer seria honrá-lo ok?

Como?

Aqui vai mais um indicativo: compadeça-se do necessitado.

Lendo no dicionário encontraremos algumas definições para compadecer:

*ter compaixão de;

*inspirar compaixão em;

*tolerar, suportar, aguentar;

*ter compaixão, comiserar-se, condoer-se, apiedar-se;

*ser compatível, harmonizar-se.

Acredite você ou não, todos nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, ou seja, todos temos dentro de nós a essência do divino, a centelha de vida que move nossos sonhos, desejos e amor.

Ele deseja que a nossa generosidade e amor reflitam a Dele.

Salmos 82.3

“Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado”

A bíblia é notória por sua responsabilidade social, justiça e amor para com os pobres e desfavorecidos, esse amor e cuidado refletem o caráter do próprio Deus e ela não nos oferece outra alternativa a não ser tomarmos consciência das necessidades dos que se acham próximo de nós. Portanto é nossa função:

*fazer justiça ao pobre, órfão, viúva e estrangeiro;

*livrar o pobre e necessitado;

*justificar o aflito e que passa necessidade;

*tirar o pobre, viúva, órfão e necessitados das mãos dos ímpios.

Ajudar os que precisam, não é somente uma sugestão ou conselho, é uma ordem! E ela exige uma mudança de atitude, não só exterior como interior, trabalhando nossos preconceitos [pré?], ideias pré concebidas, nossos sentimentos e impulsos.

Sem julgamentos infundados ou meias verdades.

Pode não ser o Pinheirinho de SJC mas perto de onde estivermos deve com certeza haver algum “Pinheirinho”, ou em última análise, algum “pobre, viúva, órfão ou estrangeiro”.

Precisamos trabalhar para ajudar a suprir as necessidades básicas dos desassistidos e protege-los e dar o direito que lhes é devido.

Com amor

No amor de Cristo

Sem interesses.

domingo, 14 de novembro de 2010

Estamos enterrando nossos... Talentos?


Jesus tinha algumas características bem peculiares.

Uma delas era que o seu modo de viver com as pessoas e colocar em prática a essência da bíblia e ensinar o Seu modo de viver, era [entre outras formas] através de parábolas.

Ou seja, para termos uma compreensão da essência desses ensinamentos, temos que lê-los e compreendê-los no contexto em que estão inseridos e saber que são parábolas, e que Jesus tinha um carisma incrível [ok, era Deus, isso conta muito...] e era um grande contador de histórias, ou seja, um professor, um rabi, um mestre.

Nessa parábola conhecida como “Parábola dos Talentos”, traz alguns aspectos da vida muito interessantes e que, todos nós, uns mais outros menos, nos encaixamos.


Resumidamente, essa parábola trata do seguinte:


Um determinado senhor, antes de fazer uma viagem dividiu seus bens entre seus três funcionários, dando para um 5 talentos, a outro 2 e para o último 1, segundo a capacidade de cada um deles.

E depois de um tempo retorna, e na volta ele quer saber de cada um o que aconteceu com o talento que foi deixado com cada um deles.

O que tinha 5 conseguiu ganhar mais 5 assim como o que tinha dois talentos, conseguiu negociar com eles e ganhar outros dois.


Mas o que tinha recebido só um, simplesmente escondeu debaixo da terra o que tinha recebido para cuidar.


O senhor desses funcionários ficou muito feliz com os dois primeiros e decepcionado com o terceiro.

E este, acaba sendo castigado.


O que isso nos diz respeito?


Tudo.


Antes de mais nada, talvez algumas informações possam ser úteis para uma melhor compreensão do que foi lido:

1 talento = 6 mil denários [moeda corrente da época] = equivalente a aproximadamente 20 anos de trabalho.


Bom, com isso já dá para perceber algumas coisas não?


Acredito que não cabe aqui dissecar totalmente o texto da parábola e fazer análises textuais, históricas ou preciosismos acadêmicos, vamos tentar ser mais simples e diretos.


Todos nós, num maior ou menor grau, somos iguais ao terceiro funcionário.

E em alguns momentos da nossa vida, somos idênticos.


Poderia começar falando aqui dos nossos “talentos”.

Apesar de originalmente, essa palavra ser referência à uma unidade de medida financeira, essa palavra também significa dom natural, habilidades, aptidões e até mesmo capacidades diferenciadas e únicas.


O que nós fazemos com nossos “talentos”?


Muitas vezes não somos assim também?


“ahhh... mas isso é injusto... pô meu! olha só: o cara ficou com medo! você não leu que ele disse que o Senhor dele era duro e bravo... isso foi injusto!”


Grande equívoco.


Pense comigo:

Você acha realmente que alguém, por mais rico de fosse, daria para qualquer um a quantidade de dinheiro equivalente a 20 anos de trabalho?


Vamos brincar? vamos considerar o salário mensal de um trabalhador de um país justo socialmente e coerente, o nosso Glorioso.


Salário Mínimo: R$ 510,00


Um ano de trabalho: R$ 6.120,00

Vezes 20 anos: R$ 122.400,00


Valorzinho razoável não?


Esse trabalhador, foi extremamente negligente e errou feio e não só em um único aspecto, mas em vários!


Como alguém pode confiar tanto dinheiro a seus funcionários e ser duro? ser alguém implacável, ruim, mal intencionado?


A partir daí já podemos ver o primeiro erro desse funcionário”


  • não conhecia realmente seu chefe, seu líder.


Aqui não cabe a desculpa de ser “novo funcionário”, seria uma justificativa estúpida contra o texto, uma vez que pela lógica, para ser alguém de confiança, deve ter um bom tempo de vivência. Ou seja, a desculpa do funcionário é extremamente esfarrapada.


Quais foram os equívocos cometido pelo funcionário?


  • negligente: não teve o mínimo cuidado necessário com algo de valor que não era dele;
  • não valorizou o que tinha: como ter tanto em suas mãos e não fazer nada? nem o óbvio que seria colocar num banco, ele o fez! [ver Mateus 25.27] Talvez tenha pensado: “Ah, Ele deu 5 talentos para um 2 para outro... 1 para ele não é nada!;
  • Improdutivo: simplesmente esconder algo na terra, que NÃO É para ser feito... [uma semente foi feita para ser enterrada, não dinheiro...];
  • “em cima do muro”: talvez ele tenha achado que ao enterrar o talento, ficaria numa posição neutra [como alguns políticos nossos] e se algo desse errado, não precisaria se desculpar, uma vez que ele NÃO TOMOU ATITUDE NENHUMA.
  • Sem o mínimo de iniciativa: mostrou descaso total com a função que lhe foi destinada.



“Poxa vida... e se ele realmente não conhecesse seu patrão? E se ele realmente acreditou que o senhor dele era assim?”


Ok, se ainda assim, quisermos pensar nesse argumento, podemos ver que ele tinha algum problema, porque ficar tanto tempo com uma pessoa e ter uma visão distorcida dela... é algo no mínimo complicado.


Poderia ficar aqui falando de diversas habilidades que nós mesmos reclamamos:


“como gostaria de ser rico...” [oba!]

“nossa! como sou fraco... não sou forte!”

“puxa vida... sou tão duro! gostaria de ser flexível!”

“não levo jeito para música... não toco tão bem quanto gostaria.”

“como gostaria de ser mais espiritualizado...”

“eu gostaria de ser mais inteligente...”

“sou alto/baixo demais...”

“sou gordo/magro demais...”

“tudo é chato, é difícil, é complicado...”

“não vejo graça em nada, não tenho interesse em nada...”

“nossa... não sei se caso ou compro uma bicicleta!”


... e por aí vai...


Mas na verdade, tenho em mente, um talento, um dom, que TODOS que estão lendo essas palavras, tem:


O DOM DA VIDA.


Muitas vezes reclamamos da nossa vida, resmungamos do nosso trabalho, da faculdade, do vizinho, da sogra, do cachorro, do motorista do ônibus, da tia da cantina, do banco, do amigo, da vendedora, do padeiro, do açougueiro, da internet, do... da... e... enfim...


O que estamos fazendo com nossas vidas?

Estamos enterrando nossa vida?

O que realmente estamos fazendo de produtivo com ela?

Estamos fazendo ela multiplicar, dar frutos?

Quais desculpas nos temos para nos justificar de tudo?


Até quando?


Que não enterremos nossos dons, nossos talentos.


Ela é o maior valor que temos, que nos foi dado.


Não enterre sua vida.


Ame-a.


Observação:

Para melhor entendimento dessa parábola, conferir:

Mateus 25. 14 - 30

E depois de estudar, comparar com:

Lucas 8.18, 16.10

Mateus 13.12

Marcos 4.25


quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Família de Polyanna

A Família de Polyanna pede socorro!
[extraído do blog da Glória Perez]

Ela tinha 26 anos, estava casada há poucos meses, vivendo essa felicidade toda que você vê na foto. Saiu de casa numa manhã comum, para dar uma palestra aos alunos de publicidade da PUC-GO. E não chegou lá. Seu carro foi encontrado queimado, e seu corpo, longe dali, muito machucado e com sinais de luta.

Aconteceu em setembro de 2009, e até hoje não se chegou à autoria. Dá pra imaginar como se sente a familia da Polyanna? O que eles pedem, e tem todo direito de pedir, é investigação.

Em casos assim, a imprensa tem um papel decisivo: cobrar, para não deixar cair no esquecimento!

Eu lamento muito que o “Linha Direta” tenha saído da grade da Globo. Prestava muitos serviços, quando divulgava casos dessa natureza. Mesmo quando não se tem a identidade do criminoso, há que se considerar que alguém sempre terá visto alguma coisa que conduza a ele. E a insistencia na cobrança ajuda a encorar essas pessoas a falar.

A Priscila, irmã da Polyanna, escreveu desabafando:

"...minha irmã a Polyanna Arruda Borges, foi morta em setembro dia 23 do ano passado, de lá para cá vivemos numa guerra… Um luto eterno, pois não podemos, falo por mim e pela minha família, chorar e seguir adiante com a saudade sem tamanho que temos da Polyanna. Temos que viver na luta de achar os verdadeiros culpados e o porquê fizeram isso com minha irmã. Nada sabemos…

Minha irmã saiu de casa no dia 23, uma quarta feira, ela iria dar uma palestra para estudantes de publicidade da PUC/GO, pois ela apenas com 26 anos já era sócia-proprietária de uma das agências mais respeitadas de Goiânia. Isso era 7:20 Glória… 7:20 da manhã, e depois de sua partida para esssa palestra não sabemos ao certo o que aconteceu. Seu carro foi encontrado em chamas num bairro distante do local da palestra, isso ás 10:20 e esse dia foi o pior dia da minha vida… Recebemos a notícia que seu carro havia sido encontrado, mas a Polyanna tinha desaperecido, passei dia inteiro na delegacia, tentando ajudar a polícia, dando informações, vendo policiais bocejando enquanto contava sobre a Polyanna…Escutando piloto de helicoptero dizendo que estava a procura de urubus para encontrar a minha irmã…

Foi terrível, tinha a esperança que um sequestrador ligasse pedindo resgate, mas nada… No dia 24 ás 19h recebemos a notícia que tinham encontrado a Polyanna, mas morta a tiros…No seu velório o caixão teve que ser todo lacrado, pois além do seu corpo ter passado muito tempo na terra, na chuva, ela estava muito machucada pelos assassinos. Glória, ela é linda, um sorriso que abria meu sorriso e um abraço que me dava cocégas… Agora estou nessa peleja de lutar para ter Justiça, pois como falei nada se sabe…

A polícia parece não ter competencia para investigar o caso, estamos agora pedindo SOCORRO, porque é desesperador imaginar que os culpados por ter arrancado um pedaço da minha família esteja solto, não seja punido… Sei que você pode nos ajudar e percebemos que quando movimentamos a imprensa o caso da Polyanna não fica esquecido, é uma loucura tudo que estamos vivendo. Fomos já em vários políticos, secretario de segurança, Ministério público, e ouvimos sempre as mesmas promessas, mas nada de concreto temos."

Priscila Borges

Leia mais sobre o caso


domingo, 20 de junho de 2010

Carta de uma mãe em busca de respostas

"Querido pastor Caio Fábio,

Eu sou uma mãe que acaba de perder uma filha linda, maravilhosa de 26 anos, com apenas cinco meses de casada... Hoje faz sete dias que a perdemos...

Ela era poesia, cor, música e sensibilidade...

Nós somos uma família que conheceu Jesus quando as nossas três meninas tinham entre três e oito anos. Passamos por grandes lutas e desafios e congregamos na Igreja Presbiteriana do Setor Sul de Anápolis com o Pr Ronaldo Cavalcante.

Caio Fabio, seguimos os seus passos todas as vezes que você esteve por aqui.

Quarta feira passada por volta das 13 horas meu marido me falou que tínhamos que ir para Goiânia porque a nossa filha do meio, a Polyanna, tinha desaparecido...a minhas pernas sumiram....mas eu levantei e entrei no carro para ir para Goiânia pois ela morava lá e estava casada e feliz.....

Apenas com 26 anos a publicitária mais conhecida da cidade por causa da sua alegria e capacidade de incentivar empresários a acreditarem em seus próprios negócios.

Os homens da família foram para a delegacia... e nós as mulheres da família ficamos 30 horas orando, clamando a deus e esperando o pedido de resgate, tendo em vista que o caro já havia sido encontrado com seus pertences dentro e o mesmo havia sido queimado para apagar provas e digitais, dificultando o trabalho da policia...

Oramos sem cessar e ouvimos, e lemos a Palavra; e tivemos a certeza de que o resgate seria pedido e esperamos que ela voltaria para nós e com sua tremenda capacidade poética e criativa e como uma menina apaixonada por Jesus ainda escreveria um livro para promover quebrantamento e conversão em muitas vidas....

A única palavra que eu queria ouvir nestas 30 horas de vigília e emoção, aflição e angustia profunda era: "a encontraram"...; ou um toque de telefone com o com o pedido de resgate...

Finalmente alguém entra naquela casa onde estávamos amigos e parentes amontoados na sala escorregando do sofá para o chão, então ouvimos: "achou", mas foi encontrada morta com dois tiros...

Acabei de ler sobre o amor de pai que agradece a deus por saber que seu filho, para ficar livre desse mundo, tenebroso chamado por Jesus... Não consigo neste momento ter este sentimento de gratidão porque tendo certeza de que não era esse o desejo dela também...

Nós todos estávamos fazendo uma campanha de oração e eu sei quais eram os planos dela para o futuro... Planos de paz, de criação, de crescimento, para que o mundo conhecesse o talento gratuito que deus lhe deu...

Não posso considerar que a minha não aceitação é egoísta... ela queria viver aqui com o seu querido marido a lua de mel que a esperou por 8 anos, ela queria ter filhinhos e levá-los para jogar bola com o avô que não teve meninos, só meninas, ela queria realizar sonhos comunitários.

No ano passado ela criou um site: www.amigoinedito.com.br para movimentar os internautas a fazerem boas ações e registrarem seus depoimentos neste site.

E agora... Eu entendi a resposta que deram para o "mano", mas voltar a falar com deus esta difícil demais...

Ainda não sabemos quem foi o sujeito que atirou nela, mas eu não posso acreditar que foi vontade de deus... se foi o ódio do inimigo das nossas vidas eu pergunto por que Jesus deixou assassinos interromperem a caminhada de uma mensageira de Deus ???


Resposta:
Minha irmã amada: Graça e Paz!


Do meu ponto de vista...
Adão não deveria ter pecado; Caim não deveria ter matado Abel;
os filhos de Caim não deveriam ter construído Babel;
Cão não deveria ter "abusado" na nudez do pai, Noé;
Abraão não deveria ter gerado filho de sua serva, Hagar;
Jacó não deveria ter enganado Esaú e nem Esaú deveria ter trocado a "bênção" por um prato de lentilhas;
os filhos de Jacó não deveriam ter traído José;
Moisés deveria ter entrado na Terra de Canaã;
a filha de Baraque não deveria ter sido morta pelo voto do pai;
Sansão não deveria ter morrido daquele jeito;
Davi não deveria ter surtado nunca; e, por isto, não deveria ter perdido nenhum filho;
Isaías não deveria ter sido serrado pelo meio;
a mulher de Ezequiel não deveria ter sido morta como parábola para ensinar os incrédulos;
Oséias não deveria ter sido tão infeliz no casamento;
os inocentes deveriam ter sido poupados em todas as chacinas;
nenhuma criança deveria ter morrido pela ambição dos adultos;
nenhuma mãe jamais deveria ter comido seus filhos no auge da fome;
João Batista deveria ter vivido vida longa e honrada, ao invés de acabar sem cabeça em razão de uma bunda bonitinha;
Jesus, O Verbo, A Palavra, não deveria ter sido morto;
a Ressurreição não deveria ter sido tão discreta...
os apóstolos, como Tiago irmão de João, não deveriam ter sido mortos por nenhum capricho [e todos foram...];
Paulo não deveria ter sido morto justamente quando os cristãos mais precisavam dele;
milhares de testemunhas também nunca deveriam ter morrido uma morte sem sentido, banal;
enquanto os maus prosperam; enquanto a injustiça foge do juízo; enquanto a verdade é pisoteada; enquanto a maldade se torna poder; enquanto gente boa some... sem explicação...

Sim, entregue a minha visão menor do que a de uma ameba e mais egoísta do que eu mesmo consigo discernir a profundidade do egoísmo, eu poderia consertar o mundo; impedir todas as injustiças; ajudar Deus a ser Deus; determinar o melhor pro mundo, pros meus filhos, pra minha vida; enfim, eu, entregue a mim mesmo, seria tão cheio de boas idéias..., que ninguém que eu amasse morreria; sim, ninguém...; e se morresse seria com meu consentimento, entendimento, compreensão e apoio a Deus na Sua soberania!...

Ah, se eu fosse o Deus do mundo ninguém morreria; ou, então, ninguém que eu gostasse; e, da minha casa, certamente ninguém morreria; não enquanto eu estivesse vivo...

Eu, todavia, há muito aceitei e vi que de fato não vejo; percebi que de fato não discirno; entendi minha limitação de entendimento; constatei que meu melhor amor é ainda por mim mesmo e por meus sonhos; aprendi que meus amores são "meus" e por "minha causa"; pois, morre o vizinho, e não sinto; morre o jovem da esquina, e logo esqueço; milhares são vitimados, e eu apenas lamento; o mundo acaba em vários lugares da terra, e eu agradeço que não seja AQUI...; e, aqui, é onde moro, vivo; e AQUI não posso conceber que aconteça o que no mundo inteiro acontece...

O que não dá é para sofrer em nome de sua filha os sofrimentos que ela não está sofrendo...

Sim, pois você queria ver a sua filha casada e feliz no casamento; tendo filhos; se realizando profissionalmente; etc... Esses são os seus sonhos e um dia foram os dela... Mas saiba: AGORA já não são [...] mais sonhos dela, mas apenas seus [...] por e para ela...

Hoje, para ela, o melhor marido é nevoa perto da Glória; a melhor lua de mel é amarga se comparada à alegria dela; os filhos mais lindos são miragens quando comparados aos encontros de amor que ela está tendo; as realizações profissionais que lhe orgulhariam, hoje, agora, para ela, são as canseiras e os enfados que cessaram...

O problema é que você não teve tempo para se realizar nela!...

É claro que a dor é indescritível... E ninguém pode dizer que não conheço tal dor... Mais de uma vez...

Todavia, é como pai que perdeu filho; como filho que perdeu pai; como irmão que perdeu irmão; como amigo que já perdeu milhares de amigos, que lhe digo que meus sentimentos seriam todos como os seus, não fosse o fato de que discerni faz tempo, que a maior dor dos enlutados é ainda egoísmo pelo outro [...] cuja alegria está plena, mas não a nós...; e, também, vi que tais sentimentos são todos o resultado de minha vontade de me ter nos meus filhos, de me reproduzir neles e assistir tal fato; ou seja: descobri com toda honestidade que minha frustração era não poder gozar a vida neles [...], nos que foram...

Entretanto, hoje, o que lhe digo parece sem coração e fácil de dizer...

Mas não é...

O que é então que me faz dizer o que digo?...

Ora, é a simples coerência com a fé que professo; é a simples coerência com Jesus; é a simples coerência com a existência que mata os homens dos quais o mundo não é digno; é coerência com João Batista, que não era inferior ao meu filho Lukas, e, mesmo assim, morreu por um capricho...

O que posso lhe dizer é que somente a transcendência da fé que se projeta para a Vida que é, sim, somente tal poder pode nos fazer vencer tal dor; a qual, por mais legitima que seja, sempre mistura amor e egoísmo; sempre mistura fé com privilegio; sempre crê que a vida eterna é uma belezinha apenas para quando a gente estiver caquético...

Leia os evangelhos e veja se é justo você pensar que a vida dos discípulos de Jesus esteja para além da calamidade!...

Sei que no momento minha resposta chega a você como vinagre na ferida... Infelizmente, no entanto, não tenho consolações vazias; e nem digo a ninguém o que Jesus jamais disse... Jesus nunca consolou ninguém dizendo "Que Pena! Tão Novinho!"...

Na realidade, ao olhar o mundo, mais creio e internalizo como verdade a declaração que diz que é preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus santos!...

O que eu digo [...] você não entende agora, mas compreenderá depois!...

É justo e sadio chorar os nossos amados...

O que não é certo é perguntar por que em mundo que mata tanto todos os dias, gente que amemos também possa e venha a morrer?...

Além disso, o fato de ter sido um seqüestro seguido de assassinato, do ponto de vista de Jesus, não muda nada; posto que Lhe tenham falado das desgraças e maldades praticadas por Pilatos, ou do acidente idiota na Torre de Siloé, e, a tais narrativas, Ele não acrescentou nada em especial; visto que Dele não se tenha havido um "Oh!"; ou um "Ô"; ou um "Que coisa!"...

Não! Ele apenas disse: "Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis!"...

O fato é que Jesus não tem misericórdia e pena por ninguém que esteja partindo desse mundo para a morada do Pai!

Você teria?...

Sinto saudades... Choro... Abraço as memórias... Beijo meu filho no meu coração todos os dias... Mas não o traria de volta se pudesse... Sim, jamais desejaria a ele tal maldade de tê-lo de volta a esse mundo, uma vez que dele meu filho esteja livre para sempre...

Você acha mesmo que o sucesso Publicitário é para comparar com o nome dela publicado no Livro da Vida?...

Seu olhar está enterrado neste mundo, e, por isto, fica impossível hoje para você o alegrar-se na Glória de Deus!

Entretanto, eu lhe digo:...

Se tais "perdas" não nos projetarem para Deus pelo menos pelo afeto eternizado por filhos que já se foram para a Casa Eterna, pergunto: quando então se amará a eternidade ainda vivendo neste mundo?...

Será que um crente só deseja e celebra a eternidade quando o câncer já comeu tanto os órgãos, que a dor é tão desesperadora que a pessoa quer ir para Deus não por Deus, mas apenas para ficar livre da dor?...

É mesmo assim?...

Deus é apenas uma alternativa ao desespero da dor sem cura neste mundo?...

Ora, se é assim Deus ainda não é amado por nós!...

Chore! Chore! Chore! Pois dói demais!...

Mas chore enquanto vê sua filha em Glória; e, portanto, ao chorar, chore por você e não por ela; posto que se ela visse você lamentando a gloria dela, ela lhe diria:

"Mãe! Você não viveu para a minha felicidade?... Então, por que se entristece com minha plenitude em Deus?"

Além do que já disse, não tenho nada para dizer a ninguém e nem a você, minha amada irmã no Evangelho e no luto!...

Entretanto, sei que somente o Espírito Santo pode tornar alguém apto para discernir [...] e se consolar com tais realidades invisíveis...

Oro por você e pela sua casa... Oro pelo seu genro... Oro para que vocês se gloriem na esperança da glória de Deus, conforme se mande que seja para quem de fato crê em tudo o que confessa como fé em tempos de bonança...

Receba meu amor e minha solidariedade!

Nele, que ama nossos filhos mais do que em nosso egoísmo a gente consegue conceber o que seja amor,

Caio
30 de setembro de 2009
Lago Norte

Fonte/Link: http://caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=05359