segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

... para os colegas de fé...




Um dia desses eu recebi na minha caixa de entrada um email que tinha um texto do Ed Renê falando sobre questões relacionadas à fé e sobre os milagres hoje em dia, sobre Cristo, sobre a vida...

Confesso que às vezes evito de responder mensagens coletivas por diversos motivos, mas dessa vez fui impulsionado à fazê-lo quase que instantaneamente.

Apesar de pouquíssimas pessoas terem se manifestado a respeito do que escrevi, ainda assim resolvi postar.

Não alterei nada para colocá-lo aqui, embora a vontade de fazer algumas mudanças para melhor fossem bem fortes.


como diz o título de um grande disco instrumental de música brasileira, esse é um texto para “a quem interessar possa”...


[me desculpem o "evangêliques" utilizado durante o texto, só o usei com fins "didáticos" para exemplificar]



Engraçado...


sabe o que me fez lembrar?


Cristo e os milagres que ele fez...


e mesmo fazendo, com testemunhas, ainda não acreditavam nEle.


Doze pessoas o acompanhando durante três anos, pessoas que eram próximas, conviviam diariamente.

Foram testemunhas de feitos, das atitudes, do modo de agir e falar, e ainda assim:


duvidavam

não entendiam

não compreendia

não acreditavam.


Como diríamos, "lesadinhos"


multidões o acompanhavam, iam até o deserto


E Ele multiplicava pães e peixes.


E ainda assim foi traído.


Ainda assim não entendiam a mensagem.


E depois, logo em seguida, multiplica de novo pães...

situação quase igual...


de novo as mesmas perguntas?

Ele fez tantos milagres, tantas testemunhas, tanta gente tão próxima mas...

parece que alguns não mudavam muito.


em quantos desses houve real transformação?


a multidão perseguia-o para conseguir uma "bença", um "milagre".


Me lembrei dos dez leprosos... só um voltou.


Eu disse uma vez numa célula, que os milagres que Cristo fazia eram como se fossem um "chamariz"... claro que muitos deles [como curar leproso p. ex.] eram para atestar a questão da messianidade de JEsus, mas parece que na verdade, o que ele estava realmente interessado, era atrair as pessoas para mostrar um "outro" estilo de vida, um novo modo de viver, convidar as pessoas para uma mudança no modo de pensar e agir.


um modo melhor de viver, mais humano.


ao mesmo tempo, mais divino.


com mais amor.


Mas parece que isso é bem difícil...


é bem mais fácil pedir milagres do tipo:


"quero casa"

"quero carro"

"quero aumento de salário"

"quero ganhar causa na justiça"

"quero namorado[a]"

"quero casar"


E não creio ter nada de errado nisso... querer coisas boas todos nós queremos [exceção feita ao último item no qual você ganha de brinde uma sogra].

O problema é como nos relacionamos através delas com Deus e com as outras pessoas, que tipo de relação é criada.

E como lidamos com questões mais importantes e relevantes que dizem respeito à nossa alma, ao nosso coração e à nossa fé.


Mas que é bem mais difícil pedir:


"Deus, me ajude a ser egoísta pelos outros assim como sou comigo"

"Senhor meu Deus, meu pai... me dê forças para orar pedindo coisas para meus amigos..."

"Senhor Jesus, me perdoa e muda meu modo de encarar as coisas.. tão terreno e distante do Senhor"

"Meu Deus, Eterno Senhor, me muda Senhor... me ajuda a tentar ter um mínimo de amor pelos outros, não deixe que nós, como igreja, nos tornemos mais irrelevantes"


O maior milagre é a nossa mudança.

mudança na nossa vida, no nosso modo de pensar e agir

no modo de sentir


Pedir esse milagre para Cristo.


é nos não sermos egoístas

falsos

hipócritas [o pecado do vizinho é sempre pior que o meu...]

mediocres [du jeito que tá, tá bom... vou na igreja uma vez por semana, sempre faço campanhas, falo em línguas, dou dizimo e oferta!]

cínicos [só pode se for para usar mal a bíblia com intuito de validar as próprias vontades e desejos]

arrogantes e prepotentes ["çó podi ci fô unjidu di Gizuis"]

fariseus [quer dizer, maus fariseus... porque se for um "bom"fariseu, hoje em dia, tá tudo certo]


abraços.


Carlos Sugawara


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Como recebemos uma má notícia?




Como você reage quando recebe uma má notícia?


Vou reformular: como você fica e reage [ou não...] quando recebe uma má notícia?


Melhor: como você fica e reage [ou não] quando recebe uma notícia triste e péssima?


Qual é a nossa atitude diante de fatos que mais do que serem simplesmente tristes ou ruins, nos dizem respeito? São relacionados diretamente aos nossos sentimentos, às pessoas que amamos e às coisas que nos são caras?



“Jesus, ouvindo isso [morte de João batista], retirou-se dali num barco para um lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé, desde as cidades.

E Jesus, saindo, viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos.”


Mt. 14.13-14



Para quem não sabe, João Batista era mais que um simples amigo de Cristo: além de tê-lo batizado nas águas, foi um grande pregador e profeta no seu tempo e era seu primo.

Um parente próximo.

Alguém querido,

que era importante,

que se preocupava com as pessoas.

Que fazia parte de algo maior.

Para ajudar as pessoas, ensinar, consolar, amar.

[Ok, ok... Sim, vou pular a parte que ele era um cara no mínimo “estranho”: além de gostar de ficar andando pelo deserto, se vestia com peles de animais e tinha uma dieta bem equilibrada que incluía gafanhotos. Os amigos de Cristo eram realmente.... Diferentes.]


Uma pessoa boa, de caráter idôneo, querida e que era do mesmo sangue, morreu.

Morreu injustamente.

Por nada.

Não fez nenhum mal.

Aliás, procurava sempre fazer o bem e ajudar.

Mas foi assassinado.

Cruelmente e covardemente.

Sem julgamento, apenas por capricho


Como você ficaria?


Qual seria sua reação?


“... retirou-se dali [...] para um lugar deserto...”


Algumas vezes, em momentos de profunda dor e tristeza, precisamos ficar sozinhos.

Não nos isolar, mas precisamos um tempo para nós.


Momentos de solidão.


Às vezes as nossas muitas ocupações, as ligações que temos que retornar, os emails que temos que responder, o trabalho para terminar, o curriculum para atualizar, a visita social para fazer, ver faturas dos cartões e do banco, as muitas contas a serem pagas, agendar a consulta o médico, impostos e mais impostos...


Os nossos afazeres do dia a dia ocupam a nossa atenção, a nossa mente e acaba que podemos acabar não dando a devida atenção para o que, em determinado momento, pode ser realmente importante e urgente.


“... apartado...”


Segundo o Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, apartado pode significar [1] desviado do caminho; afastado. [2] Longínquo, remoto.


Quantas vezes, por passar por situações desagradáveis ou horas difíceis, dizemos para nós mesmos ou desabafos que tudo que gostaríamos era de sumir, desaparecer?


Quando momentos ruins vem, precisamos não só ficar sozinhos um pouco, mas também nos distanciar.


E o sossego dura pouco


“... o povo seguiu-o...”


Mas veja que coisa: quantas vezes, nós, nos nossos problemas e dificuldades, remoendo nossas dores e frustações, estamos quietos no nosso canto e chega alguém... Querendo contar algum problema, alguma dor ou simplesmente desabafar?

E como nós respondemos?


“aaahhh... mas você não sabe o que aconteceu COMIGO”

“ viiiixxxiii.. mas o MEU problema...”

“Se você soubesse o que EU estou passando...”

“Mas você não sabe o que falaram PARA MIM...”


Parece às vezes, que é nos piores momentos que nossos amigos, familiares ou colegas veem atrás de nós...


“... viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos”



Muitas vezes, certos problemas ou situações, aparecem na nossa vida em “horas erradas”, em momentos não tão ideais [como se existissem condições e horas certas para determinados acontecimentos].


Apesar do momento difícil pelo qual estava passando, ele se importava com as pessoas, tinha amor, compaixão, se identificava com os problemas delas.


“... viu uma grande multidão...”


Todos nós temos problemas não? E não são poucos...


Você conhece algumas pessoas que estão passando por momentos difíceis?

Não sabe? Vocês conversam sobre o que então?

Nunca se interessou?


Ahn...


ok.


“... possuído de íntima compaixão....”


Sentimentos.

Identificar-se com a dor de outras pessoas

Se emocionar, ser tocado, se sentir triste pelas tristezas e problemas que outros passam.

Compreender o estado emocional de alguém.

Com... Paixão?


Ser humano.


“...curou os enfermos...”



E o que fazemos à respeito disso?


Curar.


Ajudar quem precisa.


Qual sua atitude?

A atitude mais fácil que tomamos é simplesmente ignorar?

Ou então nos auto justificarmos dizendo que nós passamos por coisas muito mais difíceis?

Quem sabe alguns gostam de se colocar como quase nada, se julgando incapazes de poder fazer algo por alguém?

Não seria na verdade uma desculpa fácil?

Assim conseguimos nos eximar de qualquer responsabilidade e ainda, de brinde, passamos a imagem de “guerreiro sofredores que também tem problemas”.


Ou ainda... Por você mesmo, por nós mesmos, que tenhamos uma atitude, uma resposta frente aos acontecimentos e ao dia a dia desse mundo, dessa sociedade que nos cerca.


Que possamos mudar.


Vamos ser mais humanos


ter novas respostas e novos comportamentos para os acontecimentos


desenvolver hábitos diferentes.


Nos identificar com as dores e os problemas dos que sofrem de qualquer coisa, com qualquer problema.



E curá-los,



ajudar quem precisa.



com amor





terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ano Novo... vida velha?

Mais um final de ano, agora vai?

“E ninguém põe vinho novo em odres velhos...”


Lc 5.37


“Jingou béu Jingou béu meeeoooo!”

“How, how, how...”


[não, não é “como” do inglês, é o papai noel falando “rou, rou, rou”]


Mais um ano que se vai e as coisas de sempre...


quais?


Todos nós sabemos! aquelas que a gente sempre diz

Nem tanto as que dizemos para os outros

Mas as aquelas que sempre dizemos para nós mesmos.

sempre juramos

sempre prometemos

sempre planejamos

sempre idealizamos

sempre sonhamos


Sempre a mesma coisa


Alguns ficam pensando nas pisadas de bolas fenomenais que deram nos últimos 12 meses, outros ficam analisando que o ano que está terminando não foi como o que tinham planejado, e um outro tanto de gente fica pensando porque erraram de novo os mesmos erros que nos outros anos não conseguiram resolver...


Porque planejamos tanto e muitas vezes realizamos muito pouco?


Porque alguns de nós nos avaliamos tanto e projetamos tantos sonhos, tantas mudanças que nunca se materializam?


E começa de novo o mesmo ciclo...

Tudo se repete.

Às vezes um pouco diferente, com algumas pequenas variações...

Mas a essência é a mesma.


O problema é o risco de acabar nos acostumando com os mesmos rituais,

as mesmas sensações


Aquele sentimento de sonho não realizado, desejos não feitos


O que acontece?


Como assim?


De novo?


e novamente, mais perguntas.


Não se coloca vinho novo em odres velhos (3)...


Talvez, a gente possa pensar em:


“Não se tem vida nova com hábitos velhos...”


Não seria isso?


Será possível simplesmente querer mudar “a vida” de uma hora para outra sem encararmos nós mesmo?

Sem enfrentar de frente nossas limitações, nosso defeitos e nossos problemas?

Aliás, às vezes parece que a gente quer continuar com nossos “probleminhas de estimação”... Nunca nos desapegamos deles.


Quer algo novo?

Quer mudanças?

Quer renovação?

Implica em ter atitude,

Tomar decisões,

ter coragem.


Se encarar.


Como podemos querer mudar nossas atitudes, nossas reações e nossos relacionamentos simplesmente “querendo”?

Não basta querer.

Não basta só ter “muita vontade”

Tem que transformar em ação.

Se materializar.


Como disse William James,


“... a maior descoberta [...] é que qualquer ser humano pode mudar de vida, mudando de atitude”


Iremos conseguir mudar aos poucos a nossa vida, o nosso viver, assim que conseguirmos mudar as nossas atitudes, as nossas ações diante dos fatos que vêem ao nosso encontro no dia a dia.


Seja

“...na rua, no trabalho, na escola, na loja, na padaria, no posto, na rodovia, na congregação. Que haja em nós o mesmo sentimento...” (2)


Em todos os lugares.


Nas mais diversas situações.


Que seja um período realmente de renovação


Que mais do que termos consciência do que não nos agrada, que possamos ter atitude, decisões frente à elas.


Vamos colocar vinho novo em odre novo...

Novos hábitos, novas atitudes para uma vida nova.

Cristo mais uma vez, nos deixou um grande ensinamento para nossas vidas.


Que você se renove


que tenha atitude


que venha mais um ano.


Com esperança


realização de projetos


sonhos


mudanças boas



amor.



(1) Ok, me perdoem meu grande senso de humor [agradeço à queridos amigos como Ricarinho, Rica e Célia por me inspirarem a fazer essas fantásticas “piadas”].


(2) tomei a liberdade de pegar esse trecho da música do João Alexandre, “Coração de pedra”.


(3) Odres

Os odres eram bolsas de pele de cabra, costurada nas extremidades, para ficar impermeáveis. Pelo fato de o vinho novo fermentar, deveria ser colocado em um odre novo e maleável, pois tendo se tornado inflexível, a pele do odre antigo estouraria e derramaria o vinho novo. Como odres velhos, os fariseus eram muito rígidos para aceitar a Jesus, que não poderia ser contido pelas tradições e regras humanas.

[extraído da Bíblia de Estudo - aplicação pessoal]


domingo, 13 de dezembro de 2009

"Tirando pedras" ou "Onde está cheirando mal?

“Disse Jesus:

tire a pedra.

Marta, irmã do defunto disse-lhe:

- Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.

Disse-lhe Jesus:

Não tinha te dito que, se creres, verás a glória de Deus?”


João 11.39


Coisas mortas fedem.


Ok, agora uma breve pausa para os aplausos dos leitores maravilhados com essa fantástica afirmação.


Mas... que tipo de morte fede, cheira mal?


Quando falamos do corpo, é bem evidente e muitas vezes visível. E se pensarmos em outras áreas da nossa vida?


“Morte” em... projetos?

Sonhos, ideais, emoções, sentimentos, sensações...


Desejos, relacionamentos.


“Morte” em amizades, em parcerias.


Morte em nós mesmos.


Para facilitar a nossa vida, podemos separar a nossa vida em três tipos de “vida”. Assim talvez possamos entender e nos compreender melhor, podendo identificar em qual [is] realidade [s] nós ou nossos amigos estamos “mortos”: Física [nosso corpo que faz tornar real nossas vontades], Alma [sentimentos] e espiritual [nossa capacidade de contato com uma verdade superior e eterna].


Sempre é bom fazer perguntas.


Estou cheirando mal?


Será que tem alguma área da minha vida que está cheirando mal há algum tempo?


Será que já morri e não me dei conta? Estou “morrendo”?


Será por causa das decisões que tomei [ou não...]


O que uma morte em determinada área pode causar?

Quando alguém querido morre, não temos mais as expressões de carinho dessa pessoa, por exemplo.

E nas outras áreas? Quais são as consequências?


O que mortos fazem? Nada.

[pausa para vocês refletirem na minha sábia resposta]


ou melhor, só fedem.


Mortos não tem ação, não reagem.

Não reagem ao convite da vida, ao amor de Deus.


Mortos não podem demonstrar amor.

Não tem como se incomodar com o amor e preocupação que os outros têm.


Quantas pessoas próximas de nós já estão há bem mais de 4[1] dias mortas...


O que podemos fazer?


“Disse Jesus: Tirem a pedra”


Tirar a pedra do túmulo dos outros.

Nós podemos e devemos ajudar a tirar as pedras que estão enterrando sonhos, vontades, desejos e a VIDA das pessoas.


“...tendo as mãos e o pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: desligai-o e deixai-o ir”.


Outras tantas vezes, precisamos ajudar a tirar as faixas, as ataduras que prendem as pessoas.


“...rosto envolto num lenço...”


Remover as faixas que imobilizam as atitudes, as ações, a manifestação da vida.

Ajudar que os outros possam tirar os “lenços” que cobrem o rosto, a visão [é bom ajudar os outros, já que podemos muitas vezes precisar de uma mão amiga...].


Tirar as faixas, as ataduras, os lençóis da religiosidade,

do egoísmo

da hipocrisia

do desânimo

da falta de conhecimento

da falta de coragem

da falta de esperança

da falta de amor


“...SE crer, verá a glória de Deus...”


e fé para acreditar que as coisas podem mudar.


que o mundo, NÓS, podemos ser pessoas melhores.


Que tenhamos sabedoria e o amor necessário para identificar as “mortes” da nossa vida e dos outros.


Que possamos remover as pedras e ataduras que paralisam, interrompem a vida.


Com amor.



observação:

[1]: na tradição de algumas comunidades judaicas da época, havia um conceito que a alma deixava o corpo depois de três dias após a morte.